Acordo Mercosul União Europeia avança com aprovação na UE
Acordo Mercosul União Europeia – Na última sexta-feira (9), embaixadores dos 27 países do bloco europeu deram maioria qualificada ao tratado comercial que vinha sendo negociado há mais de 25 anos.
A decisão cria as bases para a maior zona de livre comércio do planeta e pavimenta o caminho para a assinatura formal em Assunção, onde o Paraguai exerce a presidência rotativa do Mercosul.
Como foi a votação em Bruxelas
Para passar no Conselho da União Europeia, o texto precisava de 55% dos Estados-membros representando, juntos, ao menos 65% da população do bloco. Sob liderança da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o acordo superou a resistência de França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria.
Agora, o documento segue para o Parlamento Europeu, que tem até abril para a ratificação final. Caso seja aprovado, as tarifas sobre produtos industrializados europeus que hoje chegam a quase 100% no Mercosul serão gradualmente eliminadas, enquanto cotas específicas limitarão a entrada de produtos agropecuários sul-americanos, em resposta às pressões de pequenos produtores europeus.
Impactos esperados para Brasil e parceiros
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta crescimento de 0,41% nos serviços e de 0,04% na indústria de transformação brasileira após a implementação do acordo. Setores como máquinas e equipamentos podem perder até 1%, mas a agroindústria tende a compensar o saldo.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a exportação de carnes de aves e suínos ao bloco pode avançar 9,2% nos primeiros anos de vigência. Esse potencial é o principal foco de apreensão de agricultores franceses, que organizaram protestos nas últimas semanas.
Contexto geopolítico e busca por novos mercados
A ofensiva protecionista dos Estados Unidos desde 2025, com aumento de tarifas sobre produtos europeus, acelerou o interesse de Bruxelas em diversificar fornecedores. A UE importa anualmente mais de US$ 200 bilhões em alimentos, segundo dados do IBGE, montante que agora poderá ser parcialmente atendido por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Para o governo brasileiro, o tratado reforça o discurso multilateralista e coincide com a meta de ampliar em até 15% o comércio exterior até 2030. Empresas alemãs, espanholas e francesas instaladas no País também devem se beneficiar ao acessar insumos sul-americanos com menor custo logístico.

Embora a ratificação parlamentar ainda seja um obstáculo, diplomatas avaliam que o consenso entre Alemanha, Espanha e Itália dificulta qualquer tentativa de veto definitivo.
No Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) celebrou o avanço e destacou a necessidade de modernizar cadeias produtivas para competir com bens europeus de maior valor agregado.
O Itamaraty trabalha para que o texto final seja assinado ainda neste semestre, etapa que permitirá a entrada em vigor provisória de parte das concessões tarifárias enquanto parlamentos nacionais concluem seus processos internos.
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