Mulheres no frevo: debate destaca cultura e patrimônio
Mulheres no frevo: debate destaca cultura e patrimônio – Em evento realizado no Cais do Sertão, no Recife, lideranças femininas discutiram como garantir espaço e reconhecimento às mulheres que mantêm vivo o frevo, expressão cultural reconhecida mundialmente.
A gravação do videocast “Mulheres na Cultura, Liderança e Patrimônio”, parceria do YouTube com a produtora Casé Fala, também marcou o lançamento da pesquisa “Quando a Orquestra Toca – O Brasil Freva Junto”, que mapeou 322 orquestras de frevo em Recife e Olinda.
Protagonismo ainda invisível
Durante o bate-papo mediado por Ana Fontes, a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, lembrou que grande parte das rotinas de ensaio, produção e gestão cultural é executada por mulheres que raramente aparecem nos holofotes.
A governadora Raquel Lyra reforçou a fala, destacando o frevo como símbolo de identidade coletiva: “Quando toca ‘Vassourinhas’, somos todos pernambucanos pulando juntos”, disse, defendendo políticas permanentes de apoio a quem vive da cultura.
Frevo como patrimônio o ano inteiro
Gestora do museu Paço do Frevo, Luciana Félix observou que o ritmo não pode ficar restrito à Folia de Momo. Segundo ela, prolongar a agenda de apresentações é essencial para gerar renda contínua a músicos e artesãs.
Desde 2012, o frevo integra a lista do Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, de acordo com o Iphan, reforçando a necessidade de ações que salvaguardem o ritmo durante todo o ano.
Projeto aposta em formação e visibilidade
A iniciativa “Quando a Orquestra Toca” nasce para oferecer capacitação em marketing digital e fomentar shows fora do período carnavalesco. A maestrina Carmen Pontes, fundadora da Orquestra 100% Mulher, lembrou que ainda há barreiras: “É difícil ocupar um espaço historicamente masculino, mas estamos avançando”.

Para a comunicadora Dandara Pagu, reconhecer o trabalho feminino nos bastidores é passo decisivo para combater o apagamento histórico: “Quando o frevo toca, ele atravessa o corpo; é existência”.
O estudo do YouTube revelou que boa parte das orquestras enfrenta dificuldades para converter sua relevância simbólica em sustentabilidade financeira contínua, tema que vem mobilizando gestores públicos e privados.
Para acompanhar mais reportagens sobre o cenário cultural pernambucano, visite nossa editoria de Pernambuco.
Crédito da imagem: Divulgação