Qualificação profissional impulsiona transição energética no Brasil
Qualificação profissional impulsiona transição energética no Brasil – A escassez de trabalhadores capacitados para atuar em projetos de energia limpa tem retardado o ritmo da descarbonização em todo o mundo e também no Brasil.
Para especialistas, ampliar a oferta de cursos técnicos e de pós-graduação é essencial para atender à demanda crescente por engenheiros, técnicos e gestores capazes de operar usinas solares, parques eólicos terrestres e, sobretudo, estruturas offshore.
Déficit de especialistas trava energia limpa
Relatórios discutidos recentemente na Global Labor Market Conference, na Arábia Saudita, mostram que menos de um terço dos novos engenheiros está se direcionando a tecnologias sustentáveis.
No Brasil, o desafio se repete. Embora a participação de fontes renováveis tenha avançado nas cidades e até na frota de veículos, a falta de qualificação faz com que empresas disputem um número limitado de profissionais. Segundo dados do IBGE, o setor de eletricidade e gás já responde por mais de 180 mil empregos formais, mas a demanda por vagas ligadas à transição energética cresce acima da média nacional.
Nordeste aposta em formação para eólica offshore
Atenta a esse gargalo, a unidade do Senai no Rio Grande do Norte iniciou, em 23 de janeiro, a primeira pós-graduação do país focada em energia eólica offshore.
A turma reúne 43 alunos de formações diversas, de engenharia a administração. O conteúdo inclui regulação marítima, modelagem financeira e manutenção de aerogeradores, em parceria com entidades nacionais e internacionais do setor.
Para especialistas, investir agora em capacitação pode transformar o Nordeste em um polo global de conhecimento, atraindo indústrias, criando empregos de alta renda e posicionando o Brasil como referência em energia limpa.

Governos estaduais avaliam conceder incentivos fiscais não apenas a projetos de geração, mas também a centros de pesquisa e a startups de tecnologia verde, reforçando o elo entre universidades e mercado.
No médio prazo, analistas projetam que a demanda por técnicos de operação e manutenção deve dobrar, impulsionada pela expansão dos parques eólicos offshore na costa de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, além de novos complexos solares no interior.
O cenário aponta para a necessidade de políticas públicas que incentivem bolsas de estudo, certificações rápidas e programas de requalificação para profissionais de setores tradicionais, como petróleo e gás.
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