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terça-feira, fevereiro 24, 2026

Ministério Público de Pernambuco mira denúncia na Prefeitura

Ministério Público de Pernambuco mira denúncia na Prefeitura

Ministério Público de Pernambuco mira denúncia na Prefeitura – Nos últimos dias, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) passou a acompanhar de perto uma apuração da Polícia Civil que investigou, de forma preliminar, suspeitas de propina envolvendo um secretário da Prefeitura do Recife, considerado braço direito do prefeito João Campos.

A investigação começou entre agosto e outubro de 2025, após denúncia anônima que detalhava veículo, locais de encontro e valores supostamente cobrados. A corporação instalou um rastreador no carro do servidor para monitorar deslocamentos em vias públicas, não encontrou indícios e arquivou o caso.

O que diz a lei sobre denúncias anônimas

No direito brasileiro, a delação sem autoria não constitui prova, mas pode motivar “diligências preliminares” para verificar a verossimilhança. É a chamada fundada suspeita, exigida pelos tribunais superiores antes da abertura de inquérito formal.

O uso de GPS, nesse contexto, é entendido como extensão da campana, já que não invade domicílio nem quebra sigilos bancário ou telefônico. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social, ferramentas de geolocalização são adotadas em mais de 60% das apurações de corrupção no serviço público estadual.

Vazamento e guerra de narrativas

O sigilo caiu quando informações da investigação foram vazadas para a imprensa nacional, transformando o debate técnico em disputa política. Aliados da Prefeitura classificaram a apuração como “arapongagem”, enquanto setores do Governo do Estado defenderam a lisura do trabalho policial.

Especialistas alertam que expor o nome de um investigado já inocentado fere a imagem pessoal e pode configurar violação de sigilo funcional, passível de punição criminal.

Próximos passos e responsabilidades

O MPPE informou que verificará se todos os protocolos policiais foram cumpridos e, paralelamente, recomendou à gestão municipal abrir sindicância interna para afastar dúvidas sobre a conduta do secretário.

Para o advogado Edgar Moury, a auditoria dupla – interna e externa – é “o mínimo para garantir transparência”. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que apenas 18% dos municípios brasileiros instauram inquérito administrativo após suspeitas de corrupção, percentual que, segundo especialistas, precisa crescer para fortalecer a confiança nas instituições.

No cenário pré-eleitoral, analistas temem que o caso seja usado como munição eleitoral, desviando a atenção de temas essenciais, como orçamento e qualidade dos serviços públicos.

Acompanhe os desdobramentos deste caso e outras notícias de segurança pública; para mais detalhes, acesse nossa editoria de Polícia.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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