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quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Cultura digital prejudica aprendizado, indica estudo da OCDE

Cultura digital prejudica aprendizado, indica estudo da OCDE

Cultura digital prejudica aprendizado – Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que o uso excessivo de telas está associado à queda de habilidades básicas entre adultos que concluíram o ensino básico, afetando leitura, interpretação e matemática elementar.

O levantamento, chamado Survey of Adult Skills, comparou desempenho em 31 países ricos e constatou recuos significativos em nações como Chile, Itália, Portugal e Estados Unidos. Finlândia, Noruega e Japão mantiveram resultados elevados.

Queda na resolução de problemas cotidianos

A pesquisa avaliou tarefas simples, como interpretar bulas de remédio ou conferir contas bancárias. Nos países com pior desempenho, a dificuldade em resolver problemas do dia a dia cresce à medida que o consumo de informação se dá quase exclusivamente por meio digital, onde textos longos são raros.

Japão e Finlândia, que mantêm maior restrição ao ensino 100 % online, mostraram melhor preservação das competências. Segundo especialistas, o ambiente virtual estimula a leitura superficial: a informação é rapidamente “consumida” e logo descartada, impedindo assimilação profunda.

Desafios para sistemas educacionais

Para a professora Maria do Rosário Longo Mortatti, da Unesp, ouvida pela revista Veja, o problema extrapola a escola e reflete “demandas cotidianas cada vez mais complexas”. No Brasil, iniciativas que limitam celulares em sala de aula já apresentam primeiros sinais de recuperação no desempenho, em linha com diretrizes do Inep sobre alfabetização e uso de recursos digitais.

A OCDE reforça que a economia de um país não garante, por si só, alto nível de proficiência acadêmica. A recomendação é combinar métodos tradicionais com ferramentas digitais, valorizando leitura profunda e prática matemática frequente ao longo da vida ativa.

Em casa e no trabalho, especialistas sugerem pausas diárias de “detox” de telas, estímulo à leitura em papel e uso de aplicativos que controlam tempo de exposição, estratégias que podem mitigar o “abismo da desinformação” provocado pelo excesso de conteúdo.

Para outras análises sobre educação e tecnologia, visite nossa editoria de Educação.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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