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quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Monitoramento de secretário do Recife levanta suspeita

Monitoramento de secretário do Recife levanta suspeita

Monitoramento de secretário do Recife — A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) confirmou ter acompanhado, entre agosto e outubro de 2025, o carro oficial usado por Gustavo Queiroz Monteiro, titular da Articulação Política da Prefeitura do Recife, após denúncia anônima de suposto esquema de propina.

O governo estadual nega espionagem ilegal e alega que a ação foi uma “investigação preliminar”, realizada antes da abertura de inquérito policial.

Como foi feito o rastreamento

Relatório interno aponta que agentes da Polícia Civil seguiram o veículo do secretário em diferentes deslocamentos, registrando paradas e rotas.

Segundo a denúncia divulgada pela TV Record, uma “tag” de localização foi instalada no automóvel enquanto ele estava estacionado em um supermercado. A SDS admite o uso do equipamento, mas sustenta que, por se tratar de bem público, não haveria necessidade de autorização judicial. Esse entendimento contraria a avaliação de criminalistas, que veem na medida invasão de privacidade.

O que diz o governo e a legislação

Durante coletiva de imprensa, o titular da SDS, Alessandro Carvalho, afirmou que a iniciativa se baseou em gravidade de indícios encaminhados de forma anônima. Ele citou precedentes do Supremo Tribunal Federal que permitem diligências preparatórias antes da instauração formal de inquérito.

Especialistas, porém, lembram que o rastreamento eletrônico costuma exigir ordem judicial, por ser considerado meio de prova invasivo. Conforme levantamento do dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), 62% das apurações de corrupção em 2024 evoluíram de denúncias anônimas para inquéritos somente após confirmação de elementos robustos, como quebras legais de sigilo.

Denúncia envolve suposto esquema de propina

Documentos obtidos pela SDS descrevem que Gustavo Monteiro e seu irmão, Eduardo, assessor da prefeitura, teriam liderado coleta ilícita de 4% a 5% sobre contratos municipais, chegando a 30% em casos de reequilíbrio financeiro.

Apesar do monitoramento, a pasta informou que “não foi constatado ato ilícito” e a investigação foi arquivada. Um novo inquérito deverá apurar o vazamento de mensagens do grupo “Nova Missão”, formado por policiais envolvidos na operação.

Para o advogado de defesa do secretário, o procedimento revela “aparelhamento do Estado” e carece de justificativa legal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco acompanha o caso.

No Brasil, práticas investigativas sem supervisão judicial vêm sendo discutidas desde 2019, quando o Conselho Nacional de Justiça reforçou critérios de proteção de dados pessoais em inquéritos sigilosos. Juristas alertam que excessos podem anular provas e expor servidores públicas a processos cíveis.

O governo de Pernambuco reiterou que todas as despesas, inclusive a compra da “tag”, ocorreram por meio de verba reservada, conforme normas internas.

Para mais detalhes e outras ocorrências, acesse nossa editoria de Polícia.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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