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quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Fim da jornada 6×1 divide empresários e parlamentares

Fim da jornada 6×1 divide empresários e parlamentares

Fim da jornada 6×1 divide empresários e parlamentares – A Proposta de Emenda à Constituição 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), ganhou força na Câmara ao prever quatro dias de trabalho e três de descanso, suprimindo a tradicional escala 6×1.

Com apoio de 171 deputados para tramitar e sinalização do governo de votar o texto até 2026, o tema entrou na pré-agenda eleitoral, sob liderança do ministro Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência.

Entenda a proposta

Se aprovada, a PEC reduzirá a jornada semanal de 44 para 32 horas, mantendo a remuneração atual e garantindo descanso mínimo de 72 horas contínuas. O objetivo declarado é ampliar a proteção social e adequar o país a modelos já testados em nações como Islândia e Reino Unido.

Nos dois países, estudos apontaram melhoria de produtividade e queda no absenteísmo; porém, o setor de serviços precisou ajustar escalas e contratar profissionais extras.

Preocupação do setor produtivo

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) alerta para o impacto sobre micro e pequenas empresas, responsáveis por 7 em cada 10 vagas com carteira assinada.

Segundo a entidade, a adoção de turnos adicionais elevaria gastos com salários, FGTS, 13º e férias, pressionando preços ao consumidor. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), admite colocar a matéria em votação no início de 2026, de olho na repercussão popular.

Mercado de trabalho em números

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em 2025, o Brasil abriu 1,5 milhão de postos formais, 85% com rendimentos de até 1,5 salário mínimo. Já a taxa de desocupação medida pela PNAD contínua recuou para 5,2%, a menor da série histórica, de acordo com dados do IBGE.

Ao mesmo tempo, 7,3 milhões de trabalhadores pediram demissão espontânea em 2023, número recorde que revela maior autoconfiança e crescimento do empreendedorismo individual (MEI).

Desafio para 2026

Especialistas afirmam que a discussão sobre jornada deve caminhar junto à reforma tributária e à atualização das Normas Regulamentadoras, que já impõem novos custos de compliance às empresas.

Sem estudo de impacto detalhado, a proposta corre o risco de gerar efeitos contrários ao esperado, estimulando a informalidade que hoje atinge 37,7% da força de trabalho.

No desfecho de uma pauta que promete esquentar o debate eleitoral, resta saber se a redução da jornada trará ganho real aos trabalhadores ou apenas repassará custos aos produtos e serviços que chegam ao consumidor final. Para acompanhar outras notícias sobre mercado de trabalho e legislação, acesse nossa editoria de Empregos e Concursos.


Crédito da imagem: Divulgação / Câmara Federal

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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