Lula critica nova ONU de Trump e defende multilateralismo
Lula critica nova ONU de Trump – Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, em Salvador, na última sexta-feira (23 de janeiro de 2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Carta das Nações Unidas está sendo “rasgada” pelo avanço do unilateralismo.
Segundo Lula, o “Conselho de Paz” sugerido por Donald Trump funcionaria como uma “nova ONU” sob domínio exclusivo dos Estados Unidos, contrariando o sistema multilateral criado após a Segunda Guerra Mundial.
O que prevê o Conselho de Paz de Trump
O plano norte-americano propõe um grupo restrito para supervisionar a Administração de Gaza, reservando assentos a poucos aliados. Para o governo brasileiro, a iniciativa ignora o princípio de igualdade entre as nações e reforça a “lei do mais forte”.
Lula revelou ter sido convidado a integrar o colegiado, mas respondeu que a prioridade deveria ser fortalecer — não substituir — as Nações Unidas. Hoje, o Conselho de Segurança conta com cinco membros permanentes; a última mudança estrutural ocorreu em 1965, de acordo com informações da ONU.
Brasil volta a cobrar reforma do Conselho de Segurança
Desde 2003, Brasília defende a ampliação do Conselho de Segurança para incluir países da América Latina, África e Ásia. A proposta brasileira acrescenta seis vagas permanentes, contemplando, entre outros, México, Brasil, Índia e Nigéria.
Especialistas apontam que 193 Estados participam da Assembleia Geral, mas apenas 15 decidem questões de paz e segurança — o que, na avaliação do Itamaraty, fere a representatividade. A reforma também é apoiada pelo G4 (Brasil, Alemanha, Índia e Japão).

Articulação com outros líderes
Lula disse ter telefonado ao presidente chinês Xi Jinping, ao russo Vladimir Putin, ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi e à presidenta mexicana Claudia Sheinbaum para buscar consenso contra iniciativas unilaterais.
Ele reforçou que o Brasil não pretende se alinhar a blocos militares nem aceitar imposições externas, destacando que “a América do Sul é um território de paz” e que a diplomacia deve prevalecer sobre a força.
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