Vice de Maduro diz ter recebido ameaça dos EUA em 15 minutos
Vice de Maduro diz ter recebido ameaça dos EUA em 15 minutos – A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, relatou a influenciadores alinhados ao chavismo que integrantes do alto escalão de Caracas teriam sido ameaçados de morte por autoridades dos Estados Unidos durante a operação em que Nicolás Maduro foi capturado, recebendo apenas um quarto de hora para aceitar uma proposta.
O episódio, segundo Rodríguez, ocorreu em meio às negociações de bastidores que antecederam a prisão do líder bolivariano, ampliando ainda mais a tensão entre Washington e Caracas.
Como teria sido feita a pressão norte-americana
De acordo com o depoimento, a “proposta” incluía garantias de segurança pessoal em troca de colaboração imediata. Rodríguez afirma ter recebido a ligação de um representante dos EUA que teria dito: “vocês têm 15 minutos”. Fontes oficiais norte-americanas ainda não comentaram publicamente o caso, mas o Departamento de Estado sustenta que qualquer iniciativa sobre a Venezuela segue parâmetros diplomáticos formais.
Ainda segundo a vice-presidente, outros ministros presentes teriam recusado a oferta, interpretando-a como tentativa de golpe. A alegação foi transmitida em transmissão ao vivo nas redes sociais pró-governo, repercutindo rapidamente na imprensa local.
Contexto das relações EUA–Venezuela
Desde 2019, Washington aplica sanções econômicas ao país sul-americano, alegando violações de direitos humanos e fraude eleitoral. Dados do Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais apontam que, apenas em 2023, ocorreram mais de 6,5 mil protestos ligados à escassez de alimentos e combustíveis, quadro frequentemente atribuído pelo governo chavista às restrições externas.
Especialistas em política latino-americana lembram que a hostilidade bilateral escalou após o reconhecimento, pelos EUA, do opositor Juan Guaidó como presidente interino. Embora parte da comunidade internacional tenha recuado desse reconhecimento, o impasse segue influenciando as tratativas diplomáticas e impacta diretamente a população, que enfrenta inflação anual superior a 200%, segundo o Banco Central da Venezuela.
Próximos passos e reações internas
No parlamento venezuelano, aliados de Maduro pedem abertura de investigação sobre “ameaças estrangeiras”, enquanto a oposição critica o episódio como cortina de fumaça para problemas internos, como a falta de energia em várias regiões do país.

Analistas consultados pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Pernambuco avaliam que novos capítulos podem incluir queixas formais na ONU e tentativas de retomar o diálogo interrompido em Barbados em 2022.
Por ora, Caracas reforça a versão de que “pressões externas” seguem atuando contra a soberania nacional, discurso que mobiliza a base chavista em meio a uma crise política e humanitária prolongada.
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