UE debate criação de Exército europeu para defesa comum
UE debate criação de Exército europeu para defesa comum – A ideia de unificar as Forças Armadas dos 27 Estados-membros voltou ao centro das discussões comunitárias, impulsionada pela Espanha e por uma série de crises de segurança que atingem o entorno do bloco.
O tema, recorrente desde a década de 1950, ganhou novo fôlego após a invasão russa da Ucrânia, a saída do Reino Unido do bloco e o aumento dos investimentos militares dos EUA na OTAN, panorama que reacendeu o debate sobre autonomia estratégica europeia.
O que está sobre a mesa em Bruxelas
Em documento entregue ao Serviço Europeu de Ação Externa, Madri defende um corpo permanente de até 5 mil militares, treinado para missões de paz, evacuação de civis e resposta rápida a ameaças híbridas. A proposta inclui orçamento próprio, cadeia de comando unificada e integração com o Fundo Europeu de Defesa, que já destina €8 bilhões a projetos conjuntos.
Hoje, a União Europeia mantém apenas grupos de combate rotativos (EU Battlegroups) que nunca foram acionados. Especialistas lembram que a criação de um Exército pleno exigiria alteração de tratados e consenso unânime, algo politicamente delicado.
Gastos militares e vantagens apontadas
Segundo dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o bloco somou US$ 214 bilhões em defesa em 2022, montante que o colocaria atrás apenas dos EUA e da China se fosse contabilizado de forma unificada.

Defensores da medida alegam que a padronização de equipamentos poderia economizar até 30% nos custos anuais, além de reduzir a dependência de fornecedores externos. Críticos, porém, temem perda de soberania nacional e sobreposição com a OTAN.
A discussão deve avançar na cúpula do Conselho Europeu, que avaliará a viabilidade jurídica e orçamentária do projeto. Para acompanhar as repercussões internacionais desse e de outros temas, acesse nossa editoria Mundo.
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