Liquidação do Will Bank expõe risco ao BRB
Liquidação do Will Bank expõe risco ao BRB – A decisão do Banco Central de decretar, na última quarta-feira (21 de janeiro), a liquidação extrajudicial do Will Bank encerra uma trajetória meteórica iniciada em 2019 e revela fragilidades que quase envolveram o Banco Regional de Brasília (BRB) em um rombo bilionário.
O banco digital, que chegou a processar R$ 13 bilhões em transações no cartão de crédito em 2022, não resistiu a falhas de gestão e à suspensão de seu convênio com a Mastercard, agravando a crise de liquidez que já era monitorada desde novembro pelo BC.
Do “superfintech” à intervenção federal
Criado como Meu Pag! e rebatizado Will Bank, o negócio atraiu R$ 250 milhões da XP e da Atmos em 2021 e saltou de receita bruta de R$ 500 milhões para R$ 800 milhões em apenas um ano.
Em 2024, uma reestruturação societária colocou a Will Instituição de Pagamentos nas mãos do Grupo Reag, enquanto a Will Financeira ficou sob o Grupo Master. Esse rearranjo, aprovado pelo Cade e pelo Banco Central, não impediu que a instituição passasse por administração especial e, depois, pela liquidação.
Exposição do BRB e risco sistêmico
A derrocada atinge o BRB, que havia comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras do Banco Master — controlador da Will Financeira — e já admite um déficit de R$ 2 bilhões em ativos problemáticos. Há ainda outra dívida de quase R$ 1,8 bilhão ligada ao Will, levantando dúvidas sobre o impacto na solidez do banco público.
Segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a quebra pode gerar desembolso superior a R$ 6 bilhões para proteger correntistas, cifra relevante num setor em que a contribuição do Master é considerada mínima. Especialistas da Febraban alertam que operações agressivas de compra de carteiras, sem a devida diligência, podem gerar efeitos em cascata, elevando o custo do crédito para todo o mercado.
Lições para o mercado digital
A trajetória do Will Bank reforça a importância de governança robusta e liquidez adequada em fintechs que operam em larga escala. Dados do Banco Central indicam que instituições de menor porte concentraram 62 % das autuações por falhas prudenciais em 2025, sinal de que o ambiente regulatório seguirá apertado.

Para o consumidor, o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF e instituição, mas analistas recomendam diversificar aplicações e checar indicadores de capital antes de migrar para novos bancos digitais.
Com 74,5 bilhões em ativos e quase 10 milhões de clientes, o BRB afirma ter solvência para absorver o choque, mas deverá reduzir a velocidade de expansão enquanto normaliza a carteira e reforça provisões.
No panorama macro, a liquidação servirá de teste para as engrenagens de proteção do Sistema Financeiro Nacional, mostrando até que ponto o mecanismo de resolução de crises evita contágio relevante nos grandes bancos.
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