Trump critica Canadá e Europa em Davos e ironiza Macron
Trump critica Canadá e Europa em Davos — Durante participação no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, Donald Trump adotou tom combativo contra aliados tradicionais, reiterando cobranças sobre gastos na Otan e custos comerciais.
O ex-presidente norte-americano também fez piadas com Emmanuel Macron e reservou críticas ao Federal Reserve, repetindo o roteiro que marcou sua gestão entre 2017 e 2021.
Cobranças sobre Otan e comércio
Trump voltou a dizer que os Estados Unidos arcam com “quase toda” a conta da Otan e que “nunca recebem nada em troca”. Ele pediu que os europeus ampliem os investimentos em defesa e listou energia, imigração e crescimento econômico como prioridades para manter o Ocidente unido.
A fala ocorre em meio a números que mostram avanço, mas ainda abaixo da meta, no compromisso de gastar 2% do PIB em defesa: segundo dados oficiais da Otan, apenas 11 dos 31 países atingiram a marca em 2023.
Sobre comércio, Trump contrariou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que havia criticado o uso de tarifas como “arma”. Para o republicano, Ottawa “vive às custas dos EUA” e deveria demonstrar mais gratidão.
Ironicamente sobre Macron
O ex-mandatário provocou risos ao citar os óculos escuros usados por Emmanuel Macron no dia anterior: “Que diabos aconteceu?”. O francês explicara que o acessório se deve a um vaso sanguíneo rompido no olho direito, quadro sem gravidade.
Trump ainda retomou a história de que ameaçou sobretaxar vinhos e champanhes franceses caso Paris não reduzisse o preço de medicamentos vendidos aos norte-americanos.

Novo ataque ao Federal Reserve
Em seu encerramento, Trump criticou o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmando que juros elevados “travaram” a economia e deixaram o país em desvantagem competitiva. Ele defendeu políticas “mais estimulativas” para incentivar consumo e investimento interno.
Embora a taxa básica dos EUA tenha ultrapassado 5% em 2023, analistas veem o aperto como resposta à inflação pós-pandemia, que superou 9% ao ano no pico de 2022. Para Trump, porém, a autarquia “erra sistematicamente” ao manter o dólar valorizado.
Nos bastidores de Davos, diplomatas europeus minimizaram o discurso, destacando que o ciclo eleitoral americano costuma intensificar a retórica contra parceiros estrangeiros. Ainda assim, reconheceram preocupação com eventual retorno de medidas tarifárias.
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Crédito da imagem: Divulgação / Fórum Econômico Mundial