23.7 C
Pernambuco
quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Von der Leyen diz que velha ordem acabou em Davos

Von der Leyen diz que velha ordem acabou em Davos

Velha ordem é a expressão usada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para definir que o equilíbrio geopolítico construído após a Segunda Guerra terminou, segundo discurso feito no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na última semana.

Dirigindo-se a líderes empresariais e chefes de Estado, a dirigente destacou a necessidade de uma “nova arquitetura de segurança” no continente diante de conflitos simultâneos que vão da invasão russa à Ucrânia às tensões no Oriente Médio.

Discurso foca segurança e multilateralismo

Ao defender o fortalecimento da defesa europeia, Von der Leyen citou acordos em negociação com Mercosul, México e nações asiáticas como prova de que “a Europa escolhe o mundo, e o mundo escolhe a Europa”. O pronunciamento completo foi publicado no site oficial da Comissão Europeia; confira a íntegra.

Ela ressaltou que, com Estados Unidos e Rússia investindo pesadamente em armamentos, o bloco precisa “adaptar-se às realidades atuais” para continuar relevante. A fala ecoa preocupações de aliados da Otan sobre dependência externa de tecnologia militar.

Corrida armamentista em números

Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) indicam que os gastos militares globais atingiram US$ 2,24 trilhões em 2023, alta de 3,7% em relação ao ano anterior. Desse total, Estados Unidos respondem por 39%, enquanto a Europa concentrou 23% — maior fatia desde o fim da Guerra Fria.

Especialistas observam que o aumento de 13% no orçamento de defesa europeu, impulsionado principalmente por Alemanha, Polônia e Países Bálticos, reflete o esforço para dissuadir novas ofensivas no Leste Europeu.

Impacto para a América Latina

Embora distante dos principais focos de tensão, a América Latina pode se beneficiar de eventuais acordos comerciais com a União Europeia. Estudo do Ministério da Economia aponta que o tratado Mercosul-UE pode elevar em 10% as exportações brasileiras de manufaturados até 2035, ampliando a integração em cadeias de valor.

Para especialistas em relações internacionais, o reposicionamento europeu também abre espaço para colaboração em temas como transição energética, já que o bloco busca diversificar fontes de matérias-primas críticas, inclusive de países da região amazônica.

No cenário descrito por Von der Leyen, a recomposição das alianças ainda está em curso e deve depender tanto de instrumentos diplomáticos quanto de dissuasão militar.

Para acompanhar mais análises sobre política global e seus reflexos no Brasil, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
Últimas Notícias
Related news

Destaques de Agora