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domingo, fevereiro 22, 2026

Universidades federais do Nordeste cobram recomposição orçamentária

Universidades federais do Nordeste cobram recomposição orçamentária

Universidades federais do Nordeste cobram recomposição orçamentária – Em nota conjunta divulgada na última terça-feira (30), reitores de 19 instituições nordestinas pediram ao Congresso Nacional que reveja os cortes de R$ 488 milhões aprovados no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026.

A redução, calculada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), corresponde a 7,05% dos recursos discricionários previstos originalmente, apesar de o Ministério da Educação (MEC) ter proposto aumento de 43% em relação a 2022.

Impacto direto nas atividades acadêmicas

Segundo os reitores, a verba contingenciada sustenta despesas básicas como água, luz, limpeza, manutenção de laboratórios e aulas de campo. A assistência estudantil sofreu recuo adicional de quase R$ 100 milhões, valor que ameaça a permanência de alunos de baixa renda, negros, indígenas e moradores do interior.

O grupo destaca que a rede federal nordestina atende hoje mais de 430 mil estudantes, número que cresceu após o processo de expansão e interiorização iniciado nos anos 2000. Sem recursos, programas de pesquisa e extensão — essenciais para o desenvolvimento regional — correm risco de interrupção, alertaram os gestores.

Reitores classificam corte como “presente cruel”

Em vídeo publicado nas redes sociais, Alfredo Gomes, reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), classificou o corte como “presente de fim de ano cruel ao Brasil”. Ele lembrou que as emendas parlamentares no mesmo projeto somam R$ 61 bilhões, quantia superior ao que foi suprimido da educação.

Dados do Ministério da Educação mostram que, mesmo com acréscimo global de recursos, o orçamento per capita das universidades permanece abaixo do patamar registrado em 2014, se ajustado pela inflação. A Andifes defende que a recomposição é fundamental para alcançar metas de qualidade definidas no Plano Nacional de Educação.

Educação superior e desenvolvimento regional

Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que cada real investido nas universidades federais gera retorno de R$ 1,88 na economia local por meio de inovação, formação de mão de obra qualificada e prestação de serviços em saúde e cultura.

Os reitores ressaltam que, no Nordeste, a presença das universidades contribuiu para a redução de 17% na desigualdade de renda entre 2010 e 2020, segundo dados do IBGE. Sem recomposição, temem retrocessos nos indicadores sociais e econômicos.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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