UE debate acionar instrumento anticoerção contra EUA
Instrumento anticoerção — A União Europeia estuda ativar, pela primeira vez, o mecanismo criado para reagir a pressões comerciais externas, após o governo Donald Trump sinalizar novas tarifas a produtos europeus e ligar o tema à disputa geopolítica pela Groenlândia.
Fontes em Bruxelas confirmam que a possibilidade passou a ser discutida em caráter reservado nas últimas semanas, em meio à expectativa de que Washington eleve impostos sobre aço, alumínio e bens de luxo vindos do bloco.
O que é o instrumento anticoerção
Adotado em 2023, o dispositivo permite que os 27 países da UE imponham contramedidas rápidas — como sobretaxas e restrições de mercado — contra Estados que utilizem sanções comerciais para forçar mudanças políticas em Bruxelas.
De acordo com dados oficiais da Comissão Europeia, o comércio bilateral com os Estados Unidos movimenta cerca de € 900 bilhões ao ano, respondendo por quase um terço do PIB combinado das duas economias.
Por que Trump ameaça tarifas novamente
Em discurso recente, o ex-presidente americano acusou a Europa de “subvencionar injustamente” seus setores de energia limpa e aeronáutico. Ele ameaçou sobretaxar até 25% itens europeus caso volte à Casa Branca em 2025.
Negociadores europeus veem relação direta entre as declarações e a recusa do bloco em atender à pressão dos EUA para limitar acordos de mineração na Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
Para especialistas em direito internacional, o eventual acionamento do instrumento enviaria sinal de força, mas pode elevar tensões em cadeias globais já fragilizadas por guerras e pandemia.

No Conselho da UE, a medida precisa de maioria qualificada para avançar. Países como França e Alemanha tendem a apoiar, enquanto economias menores temem retaliações cruzadas no setor automotivo.
No Brasil, exportadores acompanham de perto: se o bloco retaliar os EUA, parte da demanda por insumos pode ser redirecionada para fornecedores sul-americanos, inclusive pernambucanos.
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