Juros altos, não déficit, elevam dívida pública, afirma Haddad
Juros altos aumentam a dívida pública – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o crescimento da dívida brasileira está ligado ao nível elevado dos juros reais, e não ao tamanho do gasto público.
Em entrevista recente, ele lembrou que o déficit primário foi reduzido em 70% nos últimos dois anos, enquanto a taxa básica Selic permanece em 15% ao ano, pressionando o serviço da dívida.
Déficit em queda reforça argumento
Haddad mencionou que o resultado fiscal de 2025 fechou em déficit de 0,48% do PIB, abaixo dos 1,6% previstos em 2023, mesmo após ressarcimentos ao INSS e outras exceções.
Para 2026, a meta do governo é alcançar uma exigência ainda maior de superávit primário, elevando o “sarrafo” das contas públicas, segundo o ministro.
Espaço para cortar a Selic
O titular da Fazenda defendeu a redução dos juros, afirmando que há margem “óbvia” para aliviar a Selic, hoje em 15%. Ele elogiou a condução da política monetária pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que, de acordo com Haddad, herdou problemas como a liquidação do Banco Master.
Dados do Banco Central mostram que cada ponto percentual a mais na Selic eleva em cerca de R$ 35 bilhões ao ano os gastos com juros, reforçando o argumento de que a taxa tem impacto direto sobre a dívida.
Regulação de fundos na mira
Haddad informou que o governo discute ampliar o perímetro regulatório do Banco Central para incluir a fiscalização dos fundos de investimento, hoje sob responsabilidade da CVM.
Segundo ele, a intersecção cada vez maior entre fundos e contas públicas exige uma supervisão mais abrangente para evitar novos desequilíbrios no mercado financeiro.

Tributação de grandes fortunas e eleições
Na entrevista, o ministro disse não se incomodar com o apelido “Taxad” nas redes sociais. Ele destacou que a atual gestão passou a tributar offshores, fundos exclusivos e apostas esportivas, alcançando banco, bet e bilionário.
Sobre o cenário eleitoral, Haddad avaliou que temas como segurança pública e combate à corrupção poderão pesar mais que a economia nas urnas, e reiterou não ter planos de disputar cargo em 2026.
No contexto fiscal, a combinação de déficit declinante e eventual corte nos juros pode reduzir a razão dívida/PIB nos próximos anos, caso o crescimento econômico seja mantido.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil