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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Acordo Mercosul-União Europeia amplia comércio e reduz tarifas

Acordo Mercosul-União Europeia amplia comércio e reduz tarifas

Acordo Mercosul-União Europeia amplia comércio – Após um quarto de século de negociações, Mercosul e União Europeia finalizaram um tratado que estabelece a maior zona de livre comércio já firmada pelo bloco sul-americano, segundo diplomatas envolvidos nas tratativas.

O pacto elimina ou reduz tarifas para 90% dos produtos negociados entre os dois blocos, abrindo portas para exportadores latino-americanos e prometendo preços menores para o consumidor europeu e brasileiro.

O que muda nas exportações e importações

Quase todos os itens embarcados pelo Mercosul — de carnes a commodities agrícolas — passarão a entrar na Europa com tarifa zero ou preferencial, conforme cronograma de até dez anos.

Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sugere que a fatia do Brasil no comércio mundial pode saltar de 8% para 36% graças ao acordo, impulsionando sobretudo setores como agronegócio e mineração.

Para o consumidor, a tendência é de queda de preços em vinhos, azeites, chocolates, queijos, medicamentos e veículos importados, que terão alíquotas reduzidas gradualmente.

Impacto econômico e desafios

De acordo com dados do IBGE, a União Europeia já responde por cerca de 16% das exportações brasileiras. Com as novas condições, o percentual pode crescer sem que o país abra mão de salvaguardas para setores sensíveis.

Especialistas em comércio exterior lembram que a entrada em vigor depende da ratificação pelos Parlamentos de 32 países, além de ajustes ambientais e trabalhistas exigidos por europeus. A previsão mais otimista aponta para início da fase de implementação em 2025.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou no evento de assinatura em Assunção, no Paraguai, que “comércio justo substitui tarifas elevadas”, numa referência indireta às barreiras erguida pelos Estados Unidos nos últimos anos.

Integração além dos bens

No longo prazo, o tratado prevê capítulos sobre serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável. A expectativa é de troca de tecnologias e circulação mais ágil de profissionais qualificados entre os dois blocos.

A visão coincide com a defendida pelo ex-vice-presidente Marco Maciel, que em 1996 pregava “intercâmbio de pessoas, experiências e ideias” como base para a soberania regional.

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido representado pelo chanceler Mauro Vieira na cerimônia, o Itamaraty classificou o acordo como “prioridade estratégica” e disse ter planos de acelerar a tramitação no Congresso Nacional.

Na avaliação de economistas, o principal desafio será melhorar a infraestrutura logística interna para cumprir prazos de entrega e padrões fitossanitários, garantindo competitividade real no mercado europeu.

No cenário global marcado por tensões protecionistas, o entendimento Mercosul-UE reforça uma agenda de abertura que pode reposicionar o Brasil como defensor do multilateralismo.

Para acompanhar outras análises e repercussões internacionais, visite nossa editoria de Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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