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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Liquidação do Banco Master: entenda o rombo bilionário

Liquidação do Banco Master: entenda o rombo bilionário

Liquidação do Banco Master – Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) tirou de circulação o Banco Master; dois meses depois, na quinta-feira (15 de janeiro), foi a vez da gestora Reag Investimentos. As decisões expuseram suspeitas de fraudes que teriam movimentado R$ 11,5 bilhões e deixado 1,6 milhão de investidores na fila do ressarcimento.

Relatórios do BC e da Polícia Federal indicam uso de CDBs com rentabilidade fora da curva, empréstimos a empresas de fachada e fundos que compravam ativos sem valor real, inflando artificialmente balanços enquanto a liquidez se esgotava.

Risco alto e esquema de pirâmide

Entre 2023 e 2024, o Master ofereceu CDBs que pagavam até 140 % do CDI — prática vista como insustentável por auditores.

Parte do montante captado bancava novos resgates, caracterizando uma pirâmide financeira (esquema Ponzi). Quando a confiança evaporou, o caixa não suportou a pressão.

Triangulações com a Reag

Investigações apontam que empresas laranja pegavam dinheiro emprestado no banco e reaplicavam em fundos da Reag, que, por sua vez, compravam títulos sem liquidez, como certificados do extinto Besc.

Seis fundos investigados somavam patrimônio declarado de R$ 102,4 bilhões. A liquidação da Reag foi considerada desdobramento direto da operação contra o Master, segundo nota oficial do Banco Central.

Tentativa frustrada com banco público

Para ganhar fôlego, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da Tirreno e, após manobra contábil, tentou revendê-la ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões.

Em setembro de 2025, o BC barrou a operação, impedindo que o risco fosse transferido para um banco público e preservando o sistema.

Conta salgada para o FGC

Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito calcula um desembolso recorde de R$ 41 bilhões para cobrir depósitos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O valor corresponde a quase um terço do patrimônio do fundo, que nunca precisou de injeção tão alta.

Quem investiu em fundos da Reag não tem a proteção do FGC, mas pode migrar a carteira para outra gestora, conforme a regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Por que o caso é histórico

Apesar de representar apenas 0,5 % dos ativos bancários, o episódio acirrou disputas entre STF, TCU e BC sobre acesso a documentos sigilosos e lançou dúvidas sobre a eficiência de auditorias e agências de rating.

Especialistas preveem mudanças na regulação de fundos e maior rigor na oferta de CDBs acima do mercado, tema que deve pautar o Conselho Monetário Nacional ainda neste semestre.

As apurações continuam e o liquidante do Master ainda consolida a lista de credores. Para acompanhar o desfecho e outras notícias de bastidores, acesse nossa editoria de Política.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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