Acordo Mercosul-UE cria maior área de livre comércio
Acordo Mercosul-UE cria maior área de livre comércio – Em 17 de janeiro, depois de quase 26 anos de negociações, Mercosul e União Europeia assinaram o tratado que estabelece a maior zona de livre comércio do planeta.
O novo pacto abrange cerca de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto conjunto estimado em US$ 22 trilhões, criando um mercado com potencial para impulsionar investimentos, cadeias produtivas e competitividade nos dois lados do Atlântico.
Bloco de US$ 22 trilhões e 90% das tarifas zeradas
Segundo os termos firmados em Assunção, o acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% dos itens comercializados entre os blocos num período máximo de 15 anos.
Exportações brasileiras para a União Europeia já somaram US$ 50,2 bilhões em 2025, de acordo com dados do IBGE. Analistas projetam que a remoção de barreiras pode elevar aquele número em até 30% na próxima década.
A assinatura contou com os presidentes do Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia, além da presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ratificação parlamentar e entrada em vigor
Para começar a valer, o tratado precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e por ao menos um congresso nacional do Mercosul. Cada país deverá concluir seus trâmites jurídicos internos antes da aplicação provisória ou definitiva.
Após a ratificação, o cronograma de liberalização tarifária passará a contar: bens industriais terão abertura mais rápida, enquanto produtos sensíveis, como agrícolas, seguirão regras de cotas e períodos de transição específicos.
Além do aspecto comercial, o documento inclui capítulos sobre compras governamentais, propriedade intelectual, regras sanitárias e compromissos ambientais alinhados ao Acordo de Paris, reforçando a ênfase dos dois blocos em valores democráticos e sustentabilidade.

Impacto para Pernambuco e Nordeste
Empresas pernambucanas ligadas aos polos automotivo, químico e de fruticultura devem ganhar competitividade na exportação para a Europa, graças à redução de tarifas que atualmente podem alcançar 10%.
Consultorias locais apontam que o Porto de Suape, estratégicamente posicionado, pode se tornar um hub logístico para escoar cargas do Nordeste ao velho continente, gerando novas vagas na área portuária e na cadeia de serviços.
No sentido inverso, o consumidor brasileiro tende a ter acesso a produtos europeus com preços mais equilibrados, favorecendo setores como tecnologia e bens de capital, enquanto governos estaduais precisarão monitorar possíveis impactos sobre a indústria menos competitiva.
Para acompanhar outras notícias do cenário internacional, acesse nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação