Transporte intermunicipal em Pernambuco enfrenta colapso
Transporte intermunicipal em Pernambuco enfrenta colapso – Na última sexta-feira (17 de janeiro de 2026), a Logo Caruaruense devolveu todas as linhas que operava à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), escancarando um problema que se arrasta há quase duas décadas.
Falta de fiscalização, avanço do transporte clandestino e ônibus com mais de 10 anos de uso compõem o cenário que ameaça a mobilidade de milhares de passageiros do Agreste ao Sertão.
Frota envelhecida e concorrência clandestina
Segundo a própria EPTI, 70% dos veículos cadastrados no sistema ultrapassam a vida útil recomendada, fator que eleva custos de manutenção e riscos de acidentes. Nos últimos cinco anos, a fiscalização flagrou 2,3 mil viagens irregulares realizadas por vans e carros particulares no interior, de acordo com dados do Detran-PE.
Enquanto o Grande Recife conseguiu conter as “kombis piratas” nos anos 2000, o interior não recebeu políticas semelhantes. A ausência de subsídios e de mecanismos de compensação por gratuidades — como meia-passagem estudantil e isenção para idosos — estrangulou o caixa das empresas regulares.
Impacto social e busca por soluções
Mais de 5 milhões de deslocamentos intermunicipais são registrados anualmente em Pernambuco, indica o IBGE. Para quem depende do serviço, a interrupção de linhas significa atraso escolar, dificuldade de acesso a hospitais regionais e queda no turismo local.
Especialistas defendem um pacote de incentivos fiscais, renovação de frota via linhas de crédito do BNDES e integração tarifária semelhante ao modelo metropolitano. A EPTI anunciou que pretende lançar até março um edital emergencial para reativar os trechos abandonados, mas não detalhou valores nem prazos de implantação.
Enquanto isso, prefeitos do Agreste articulam consórcios para subsidiar rotas deficitárias, e passageiros recorrem a grupos de caronas em redes sociais para garantir deslocamentos diários.

No legislativo estadual, um projeto de lei que cria o Fundo de Desenvolvimento do Transporte Intermunicipal aguarda votação desde setembro de 2025. Se aprovado, o fundo poderá destinar parte do ICMS sobre combustíveis à melhoria do sistema.
O colapso expõe, sobretudo, a necessidade de planejamento de longo prazo e de fiscalização contínua para evitar que novas empresas desistam de operar.
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Crédito da imagem: Divulgação