Corrupção no Brasil enfrenta cerco digital do Banco Central
Corrupção no Brasil enfrenta cerco digital do Banco Central – A digitalização total das operações financeiras, reforçada por supercomputadores do Banco Central, vem criando barreiras inéditas para quem tenta lavar dinheiro de propina, tráfico ou desvio de emendas parlamentares.
O avanço tecnológico mudou o tabuleiro: cada depósito em espécie, transferência ou compra de imóvel agora gera rastros imediatos que conectam CPF e CNPJ a bases da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Como a tecnologia dificultou a lavagem de dinheiro
Ferramentas como o sistema Hal, capaz de cruzar transações acima de R$ 50 mil em tempo real, identificam padrões atípicos e redirecionam alertas para auditores fiscais e policiais.
Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições repassaram mais de 5,8 milhões de comunicações suspeitas ao Coaf em 2025, alta de 22% em relação a 2024, reflexo direto desse monitoramento automatizado.
As recentes liquidações extrajudiciais da corretora Reag e do Banco Master também expuseram tentativas de infiltrar recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC) em fundos de investimento, episódio desvendado pela Operação Carbono Oculto da Polícia Federal.
Novas rotas e desafios para o crime organizado
Com a vigilância sobre o dinheiro digital, organizações criminosas migraram parte do lucro para artifícios como moeda virtual não regulada, aquisição de ativos de luxo de difícil rastreio e uso de laranjas em microempresas de tecnologia.
Especialistas em compliance ouvidos pela reportagem alertam que o “calcanhar de Aquiles” permanece na origem do CPF: ainda que o criminoso crie empresas de fachada, o primeiro vínculo cadastral costuma aparecer em depósitos fracionados em lotéricas ou plataformas de pagamento.

O Coaf calcula que transações de até R$ 2 mil, quando repetidas em sequência pelo mesmo pagador, já representam 18% dos alertas de 2025, tendência que pressiona parlamentares a atualizar leis sobre criptomoedas e “dinheiro anônimo”.
Enquanto isso, deputados investigados por suposto desvio de emendas via PIX entre 2021 e 2023 encaram pedidos de quebra de sigilo bancário no Supremo Tribunal Federal, reforçando a percepção de que a trilha digital se tornou inevitável.
No cenário atual, especialistas afirmam que a corrupção não acabou, mas terá de adotar métodos mais sofisticados para escapar do radar eletrônico do Estado. Para mais reportagens sobre segurança pública e investigação financeira, acesse nossa editoria de Segurança.
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