Dívida pública brasileira projeta alta e pressiona futuro fiscal
Dívida pública brasileira projeta alta e pressiona futuro fiscal – A trajetória dos gastos federais voltou a acender o alerta para o equilíbrio das contas do País, após o déficit primário superar R$ 83 bilhões de janeiro a novembro de 2025.
Embora se espere superávit em dezembro, o saldo negativo já consolida um cenário de endividamento crescente, reflexo de despesas que avançaram 4% no período, enquanto as receitas recuaram 2,6% em relação a 2024.
Déficit avança mesmo após superávit pontual
O resultado fiscal de novembro, com rombo superior a R$ 20 bilhões, contrasta com o superávit de R$ 36,5 bilhões registrado em outubro.
No mesmo mês do ano anterior, o déficit fora de R$ 4 bilhões, dez vezes menor que o atual. Segundo o Banco Central, o déficit nominal do setor público já ultrapassou R$ 1 trilhão em 12 meses, incluindo estados e municípios, sinalizando pressão contínua sobre a dívida.
Dívida pode chegar a 84% do PIB
Cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam que a dívida bruta deve alcançar 80% do Produto Interno Bruto em 2025 e pode atingir 84% em 2026. Para efeito de comparação, o PIB brasileiro somou R$ 9,9 trilhões em 2024, segundo dados do IBGE.
A combinação de arcabouço fiscal flexível e ano eleitoral tende a impulsionar novas despesas, dificultando cortes necessários em gastos obrigatórios, como Previdência, e a busca por parcerias privadas para investimentos.
Desafios para o próximo ciclo político
Especialistas alertam que futuros governos herdarão passivos maiores sem reformas administrativas que limitem o endividamento. O risco é comprometer folha de pagamento, programas sociais e serviços essenciais.

Projetos de contenção de gastos, revisão de benefícios e incentivo à receita via crescimento econômico aparecem entre as alternativas discutidas por técnicos da equipe econômica e por candidatos que já se articulam para o pleito de 2026.
No curto prazo, o cumprimento da meta fiscal dependerá de receitas extraordinárias, enquanto, no médio prazo, o debate sobre sustentabilidade da dívida ganha centralidade na agenda política.
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