Daniel Vorcaro depõe no STF sob acusação de desvio bilionário
Daniel Vorcaro depõe no STF sob acusação de desvio bilionário – Acusado de desviar R$ 12 bilhões de clientes do Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro prestou depoimento em 30 de dezembro numa sala da sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, após determinação do ministro Dias Toffoli.
A oitiva, conduzida por uma delegada da Polícia Federal na presença de advogados do banqueiro, ocorreu fora do ambiente policial habitual e gerou desconforto entre integrantes da Corte.
Por que o depoimento ocorreu no STF
O inquérito que apura a suposta fraude foi remetido ao gabinete de Toffoli, que avaliou a necessidade de colher o depoimento em ambiente “seguro e institucional”. O procedimento, no entanto, é incomum: réus em crimes financeiros costumam ser ouvidos em delegacias ou por videoconferência.
Magistrados ouvidos reservadamente afirmam que a medida cria precedente e pode “transformar o Tribunal em delegacia”, além de passar mensagem de tratamento privilegiado a investigados de alto poder econômico. Conforme o Regimento Interno, ministros podem requisitar diligências, mas raramente o fazem em suas dependências.
Impacto no sistema financeiro e risco de precedentes
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, colocou em alerta investidores e demais instituições. O Fundo Garantidor de Créditos cobrirá até R$ 250 mil por conta, mas credores acima desse limite aguardam definição judicial.
Fraudes bancárias movem cifras bilionárias no país. Levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta aumento de 165% nas tentativas de golpe digital entre 2020 e 2023, evidenciando vulnerabilidades que afetam a confiança no setor.
Especialistas alertam que decisões judiciais capazes de reverter liquidações podem elevar o custo de crédito e reduzir a atratividade do mercado brasileiro. Para o professor de Direito Financeiro da UFPE, José Amorim, “a previsibilidade regulatória é tão importante quanto a solidez dos balanços”.

Enquanto isso, a Polícia Federal avalia se indiciará Vorcaro por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Caso o indiciamento ocorra, o processo volta à primeira instância, podendo ser remetido novamente ao STF apenas se houver ligação direta com autoridades com foro privilegiado.
No sistema bancário, o episódio reacende a discussão sobre reforço de compliance e transparência. As instituições lembram que, desde 2021, o open banking permite rastrear transações cruzadas, o que pode acelerar investigações semelhantes.
O relatório final da PF deve ser concluído nas próximas semanas. Até lá, o gabinete de Toffoli seguirá acompanhando a apuração, inclusive com a possibilidade de nova acareação entre Vorcaro e autoridades do Banco Central.
Para acompanhar esta e outras ações da Justiça e da Polícia, acesse nossa editoria de Segurança.
Crédito da imagem: Divulgação