Banco Master: Vorcaro contesta liquidação e critica BC
Banco Master – Em depoimento recente ao Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro declarou ter sido pego de surpresa pela liquidação extrajudicial da instituição e responsabilizou o Banco Central (BC) pela medida.
Vorcaro defendeu que o Master estava solvente, sem inadimplência relevante, e afirmou que havia apresentado ao BC, 24 horas antes da intervenção, uma proposta de venda para um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Liquidação e operação com o BRB
A decisão do BC ocorreu em 18 de novembro, após uma intervenção que investigava possíveis fraudes em carteiras de crédito consignado negociadas com o Banco de Brasília (BRB). O negócio, avaliado em R$ 12,2 bilhões, está na mira da Polícia Federal por suspeita de “reciclagem” de ativos para mascarar fragilidades financeiras.
Vorcaro alegou que o BRB não sofreu prejuízos, já que os créditos teriam sido substituídos com 30% de deságio. O Banco Central explica em seu site que a liquidação extrajudicial é aplicada quando a solvência da instituição é considerada ameaçada, mesmo que o controlador conteste a avaliação.
Aportes e contestação de insolvência
Para reforçar seu argumento, o empresário afirmou ter injetado R$ 6 bilhões de recursos próprios no banco durante a crise de liquidez. Ele sustenta que esses aportes, somados à proposta de venda, seriam suficientes para manter a operação.
Dados públicos do BC mostram que, de 2021 a 2023, apenas três bancos entraram em liquidação extrajudicial, número considerado baixo diante das mais de 150 instituições financeiras em atividade no País. Para especialistas, essa estatística demonstra o caráter excepcional da medida e ajuda a explicar a repercussão do caso Master.

Próximos passos no STF
O processo é relatado pelo ministro Dias Toffoli, que acompanha as diligências da Polícia Federal. A defesa de Vorcaro insiste que a intervenção ignorou “soluções de mercado” e pede a reversão da liquidação. Até o momento, o BC não emitiu nota oficial sobre as declarações do banqueiro.
No Supremo, novas oitivas devem ocorrer nas próximas semanas, incluindo ex-diretores do Master e representantes do BRB. Enquanto isso, os correntistas seguem amparados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura depósitos até R$ 250 mil por CPF, conforme regulamentação vigente.
Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos no cenário político-econômico, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação