Toffoli cobra Polícia Federal e clima azeda no STF
Toffoli cobra Polícia Federal e clima azeda no STF – A determinação do ministro Dias Toffoli para que a Polícia Federal (PF) entregue imediatamente todos os documentos, equipamentos e registros ligados à operação Compliance Zero provocou forte desconforto dentro da corporação e expôs fissuras entre o Judiciário e a cúpula da segurança pública federal.
A medida, assinada na última semana, foi vista por delegados como uma intervenção sem precedentes na autonomia investigativa da PF, enquanto nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) o gesto reacendeu debates sobre limites institucionais e transparência.
O que está em jogo na operação Compliance Zero
Lançada no início deste ano, a Compliance Zero apura suspeitas de fraudes em contratos públicos e uso irregular de verbas federais. A ofensiva já cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em diferentes estados, segundo relatórios parciais da própria corporação.
Com a decisão de Toffoli, todo o acervo recolhido – de laptops a atas de reuniões – deverá ser encaminhado ao STF para análise. Em nota oficial, o tribunal informou que o objetivo é “garantir a cadeia de custódia dos materiais”. Já a PF, que ainda não se pronunciou publicamente, prepara relatório técnico sobre possíveis impactos operacionais. Mais detalhes podem ser conferidos no portal do STF.
Tensões políticas e CPMI do INSS no radar
O desgaste institucional ocorre em meio à instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que promete investigar fraudes em benefícios sociais. Parlamentares aliados ao Planalto temem que o clima adverso contamine a base governista e adie votações estratégicas.
Bastidores eleitorais também entram no cálculo. Líderes partidários avaliam que a exposição de choques entre Supremo, PF e Executivo pode influenciar a composição de chapas municipais em 2024, sobretudo em capitais do Nordeste, onde a segurança pública segue tema central.

Nos próximos dias, a expectativa é de que o diretor-geral da PF apresente ao Ministério da Justiça um plano de contingência para evitar paralisação de diligências. Advogados que acompanham o caso alertam que eventuais lacunas na cadeia de custódia podem ser usadas por réus para questionar provas.
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