Metade dos brasileiros apoia intervenção contra ditador
Metade dos brasileiros apoia intervenção contra ditador — Em levantamento realizado entre 8 e 11 de janeiro, 50% dos participantes consideraram aceitável que um país intervenha em outro para capturar um governante autoritário, segundo o instituto Genial/Quaest.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil, alcançando margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança.
Maioria prefere neutralidade do Brasil
Apesar do respaldo à ação internacional contra ditadores, 66% dos entrevistados defenderam que o Brasil mantenha posição neutra diante da recente ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro no início de janeiro.
Somente 18% julgam que o governo brasileiro deveria apoiar abertamente a operação, enquanto 10% acreditam que o País deveria se opor.
Receio de intervenção semelhante no Brasil
O levantamento também sinalizou preocupação interna: 58% afirmaram temer que os EUA adotem iniciativa parecida em território brasileiro. Para 40%, tal possibilidade não gera apreensão; 2% não souberam opinar.
Especialistas em relações internacionais lembram que operações de “mudança de regime” já ocorreram em várias partes do mundo durante o século XX. Dados de um estudo do Ipea sobre percepção democrática mostram que a maioria da população latino-americana valoriza a soberania nacional, ainda que haja repúdio a governantes autoritários.
Metodologia do levantamento
Os entrevistados responderam a um questionário aplicado por telefone, utilizando tecnologia de discagem randomizada (RDD), técnica que garante a aleatoriedade dos números selecionados.
O instituto informou ter ponderado as respostas por sexo, idade, escolaridade, renda e região, assegurando que a amostra reflita a composição sociodemográfica do País.

Contexto internacional e implicações
Intervenções para deter líderes acusados de violações de direitos humanos são tema recorrente em debates na ONU. Em 2011, por exemplo, a Resolução 1973 autorizou o uso da força na Líbia, mas gerou controvérsia sobre seus desdobramentos.
No caso venezuelano, analistas alertam que a captura de Maduro pode desencadear tensões diplomáticas e impactar fluxos migratórios na América do Sul. O Brasil abriga atualmente mais de 400 mil venezuelanos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O instituto Quaest planeja novo levantamento no próximo trimestre para verificar se a percepção pública muda conforme evoluem os desdobramentos na Venezuela.
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