Novelas brasileiras precisam encurtar duração, dizem especialistas
Novelas brasileiras precisam encurtar duração, dizem especialistas – A manutenção de tramas com mais de 150 capítulos coloca as emissoras em rota de colisão com a mudança de hábitos do público e aumenta o risco de prejuízo publicitário.
A concorrência do streaming, das redes sociais e dos vídeos curtos deixou o espectador menos paciente com histórias arrastadas e núcleos paralelos que demoram a avançar.
Mudança de hábito do público
Em 10 anos, o tempo diário que o brasileiro dedica à TV aberta encolheu 26%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE.
Grande parte dessas horas migrou para plataformas on-demand, onde temporadas compactas, de até 10 episódios, criaram uma nova referência de ritmo narrativo.
Impacto sobre as emissoras
Os prejuízos já mostram reflexos: o SBT suspendeu sua dramaturgia depois de sucessivas quedas de audiência e receita.
Na Globo, entretanto, Walcyr Carrasco prepara “Quem Ama Cuida” com 211 capítulos — uma aposta que exigirá conflitos e viradas constantes para não cansar o público.
Vantagens de tramas menores
Capítulos mais enxutos reduzem custos de produção, liberam elenco para outros projetos e permitem colocar novas histórias no ar em menos tempo.

Executivos avaliam que um formato entre 100 e 120 capítulos, já adotado em mercados como México e Turquia, seria ideal para manter relevância sem sacrificar a rentabilidade.
Cenário futuro
Se a novela de Carrasco não sustentar média superior a 25 pontos na Grande São Paulo, a tendência é acelerar a transição para superséries e minisséries.
Esse movimento pode redefinir a teledramaturgia nacional a partir de 2026, aproximando-a dos modelos internacionais de consumo rápido.
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Crédito da imagem: Divulgação