Aquecimento global bate recordes e ameaça ecossistemas
Aquecimento global bate recordes – A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma que a temperatura média da Terra entre 2023 e 2025 ficou quase 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, consolidando o período como o mais quente em 176 anos de medições.
O último ano despontou como o segundo ou terceiro mais quente já registrado, prolongando uma sequência de 11 anos de calor extremo que vem alimentando tempestades, ondas de calor e ciclones cada vez mais severos.
O que mostram os dados da OMM
De acordo com a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o aquecimento em terra e no mar intensificou eventos como chuvas torrenciais e estiagens prolongadas, elevando a urgência de sistemas de alerta precoce. Nos últimos três anos, oito diferentes bancos de dados climáticos apontaram recordes consecutivos de temperatura.
A entidade ressalta que os anos 2023, 2024 e 2025 compõem o trio mais quente desde o início das observações sistemáticas em 1850. Esses números são consistentes com as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que alerta para a possibilidade de o limite de 1,5 °C ser permanentemente ultrapassado se as emissões não forem reduzidas.
Por que os oceanos preocupam cientistas
Mais de 90 % do calor adicional gerado pelo efeito estufa é absorvido pelos oceanos. Entre 2024 e 2025, o ganho térmico nos dois primeiros quilômetros de profundidade foi equivalente a 200 vezes a produção mundial de eletricidade em 2024, mostram cálculos da OMM.
O aquecimento marinho acelera o derretimento de geleiras polares, altera correntes oceânicas e coloca em risco recifes de corais, fundamentais para a pesca e para a proteção de costas. Sem a “tampa” de gelo nos polos, o planeta perde um importante regulador natural da radiação solar, intensificando o ciclo de retroalimentação do calor.
A OMM lembra que a elevação do nível do mar ameaça diretamente megacidades costeiras e ilhas baixas, enquanto populações rurais sofrem com mudanças nos regimes de chuva e de seca, afetando a segurança alimentar.

Pesquisas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicam que a redução de 45 % nas emissões de gases de efeito estufa até 2030 ainda é viável com a adoção de energias renováveis, reflorestamento e eficiência energética.
No entanto, o relatório alerta que a percepção pública segue baixa: mais de 8 bilhões de pessoas dependem de condições climáticas estáveis, mas parte significativa dos governos adia metas ambiciosas de descarbonização.
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