Toffoli cobra PF e exige apreensões da Compliance Zero
Toffoli cobra PF e exige apreensões da Compliance Zero – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os materiais recolhidos na Operação Compliance Zero sejam lacrados e enviados à sede da Corte, após acusar a Polícia Federal (PF) de descumprir o prazo de 24 horas que ele havia fixado para as diligências.
A ordem, expedida em 12 de janeiro, criou mal-estar na corporação e reacendeu o debate sobre cadeia de custódia das provas em investigações de crimes financeiros.
O que diz a decisão do ministro
Na determinação, Toffoli afirma que o atraso da PF pode comprometer a integridade dos documentos, sugerindo risco de destruição de evidências ligadas ao Banco Master, alvo central da operação.
O magistrado ordenou que equipamentos, contratos e mídias digitais sejam protegidos “até ulterior deliberação”, reforçando que eventual desobediência judicial pode levar à anulação das provas.
Reação dentro da Polícia Federal
Fontes da corporação alegam que o prazo de 24 horas era tecnicamente inviável para planejar incursões simultâneas em vários estados. A PF sustenta ter comunicado o gabinete do ministro sobre a dificuldade operacional.
Segundo especialistas, operações de grande porte costumam demandar de 48 a 72 horas de planejamento para garantir segurança das equipes e preservação de dados. De acordo com o Manual de Prevenção à Lavagem de Dinheiro da Febraban, falhas na cadeia de custódia podem enfraquecer ações penais contra instituições financeiras.

Entenda a Operação Compliance Zero
Lançada no início de janeiro, a operação investiga suspeitas de ocultação de ativos e falsificação de balanços que teriam movimentado cerca de R$ 3 bilhões. Informações preliminares apontam que dirigentes do Banco Master teriam criado empresas de fachada para mascarar transações, prática conhecida como “layering”.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que comunicações suspeitas envolvendo o grupo triplicaram entre 2023 e 2025, reforçando a necessidade de ação coordenada entre PF e Judiciário.
O clima de tensão permanece, e novas manifestações do STF ou da direção-geral da Polícia Federal podem ocorrer nos próximos dias. Para acompanhar desdobramentos sobre investigações e segurança pública, acesse nossa editoria de Polícia.
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