Operação Overclean mira Félix Mendonça e 1/5 da Câmara
Operação Overclean – A Polícia Federal realizou, em 13 de janeiro, buscas no gabinete do deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) e em endereços na Bahia e no Distrito Federal, investigando suposto desvio de recursos de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com fontes da corporação, cerca de 20% dos atuais deputados federais têm emendas sob investigação, cenário que amplia a pressão sobre a Câmara em ano pré-eleitoral.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
Os investigadores sustentam, perante o Supremo Tribunal Federal (STF), que o parlamentar recebeu propina ligada a contratos com três prefeituras baianas.
Além do imóvel funcional em Brasília, foram cumpridos mandados em Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. A ofensiva integra a fase mais recente da ação que analisa transferências especiais, conhecidas como “emendas PIX”, pagas sem detalhamento de autoria e destino.
Volume recorde de emendas sob suspeita
Entre 2021 e 2025, o Orçamento destinou R$ 139,05 bilhões em emendas; desse total, R$ 102,05 bilhões já foram pagos. Somente no formato “PIX”, a PF rastreia R$ 694,6 milhões sem comprovação de plano de trabalho.
Em 2026, cada parlamentar poderá indicar até R$ 40,25 milhões, elevando a dotação total para R$ 49,9 bilhões. Especialistas alertam que o modelo, tornado impositivo, deslocou o foco dos congressistas de cargos federais para o controle direto de verbas.
Outros processos no STF
Casos semelhantes envolvendo Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil (ambos PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) já têm julgamento marcado para 11 de março na Primeira Turma, com relatoria do ministro Flávio Dino.

Segundo dados da Polícia Civil de Pernambuco, denúncias de desvios em licitações e convênios cresceram 18% em 2025, indicando tendência de expansão nacional desse tipo de crime.
Transparência ainda é desafio
O STF exige, desde dezembro passado, identificação de autores e beneficiários de cada repasse. Mesmo assim, parte dos pagamentos foi executada sem registro, obrigando o Tesouro a rastrear ordens de despesa retroativas.
Ministérios da Integração, do Desenvolvimento Regional e da Agricultura concentram a maioria dos convênios investigados, segundo relatório parcial da PF.
No cenário de sucessivas operações e novas regras de publicidade, o caso de Félix Mendonça Júnior tende a ser apenas o primeiro de uma série que poderá redefinir o uso das emendas em 2026. Para acompanhar as próximas movimentações em Brasília, siga nossa editoria de Política.
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