Brasil e Portugal pressionam acordo Mercosul-União Europeia
Brasil e Portugal pressionam acordo Mercosul-União Europeia – Na última terça-feira (13 de janeiro), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, conversaram por telefone para reforçar a necessidade de uma implementação rápida do tratado comercial entre Mercosul e União Europeia, cuja assinatura está marcada para 17 de janeiro, no Paraguai.
Segundo o Palácio do Planalto, Montenegro elogiou o empenho de Lula na reta final das negociações e ambos concordaram em “trabalhar de forma rápida e eficiente” para que as novas regras passem a valer o quanto antes.
Negociação histórica de 25 anos
O acordo Mercosul-UE começou a ser negociado em 1999 e foi concluído somente em 2024. Ele eliminará tarifas sobre cerca de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos, além de estabelecer compromissos sobre compras governamentais, serviços e sustentabilidade.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o comércio bilateral Mercosul-União Europeia movimentou perto de US$ 100 bilhões em 2022, valor que pode crescer até 30% na primeira década de vigência do tratado.
Impacto econômico e ambiental
O texto criará um mercado integrado de cerca de 780 milhões de consumidores, abrangendo 25% do PIB mundial. A estimativa oficial é que o acordo gere ganho de renda adicional de US$ 87 bilhões para o Mercosul no longo prazo.
Na área ambiental, o capítulo de sustentabilidade prevê penalidades para quem descumprir metas climáticas, ponto considerado decisivo para superar resistências de países europeus, sobretudo França e Irlanda.

Próximos passos até a ratificação
Após a assinatura em Assunção, o documento seguirá para os Parlamentos dos 27 países da União Europeia e dos quatro membros do Mercosul. No Brasil, a proposta precisa passar pelo Congresso Nacional antes de ser promulgada.
Lula e Montenegro também abordaram o cenário político da Venezuela e defenderam estabilidade institucional na América do Sul, reiterando a importância do diálogo regional para a integração econômica.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil