Justiça ordena transferência de preso baleado em Itaquitinga
Justiça ordena transferência de preso baleado em Itaquitinga – A Vara do Tribunal do Júri da Capital determinou a remoção imediata do detento Jorge Luiz Ferreira da Silva para o Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.
A decisão, proferida na última segunda-feira (12), atende à denúncia de que o interno foi torturado e atingido por tiros de espingarda calibre 12 por policiais penais no Presídio de Itaquitinga, na Mata Norte de Pernambuco.
Relato de tortura e disparos dentro da unidade
Em audiência, Jorge Luiz contou que, no dia 25 de dezembro de 2025, ele e outros dois presos foram algemados, confinados em uma cela e expostos a spray de pimenta.
Na sequência, já em uma quadra interna, ele e um companheiro de cela teriam sido alvejados por disparos, sem qualquer socorro imediato. O preso afirmou ainda que o diretor da unidade teria chegado embriagado para trabalhar na data do ocorrido.
Providências da Justiça e próximos passos
O juiz José Carlos Vasconcelos Filho solicitou, em cinco dias, as imagens das câmeras internas do presídio para instruir o inquérito e encaminhou cópia da audiência à Secretaria de Defesa Social, ao Ministério Público e ao gabinete da governadora Raquel Lyra.
Exames de corpo de delito devem ser realizados no Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. A defesa sustenta que todas as dependências do presídio são monitoradas por áudio e vídeo, o que, se confirmado, oferecerá prova técnica decisiva.
Casos de violência institucional no sistema prisional vêm sendo acompanhados por organizações de direitos humanos. Segundo o Atlas da Violência, publicado pelo Ipea, Pernambuco figura entre os estados com maiores índices de mortes violentas, cenário que pressiona o sistema penitenciário e amplia a preocupação com abusos dentro das unidades.

Até o momento, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) não se posicionou sobre eventuais medidas contra os policiais penais e o diretor da unidade.
As investigações seguem em sigilo e a transferência do detento deve ser concluída em até 24 horas, conforme despacho judicial.
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Crédito da imagem: Divulgação / Seap