Tubarão-lixa: pesquisadora explica ataque em Noronha
Tubarão-lixa: pesquisadora explica ataque em Noronha – Na última sexta-feira (9 de janeiro), a advogada Tayane Dalazen foi mordida por um tubarão-lixa enquanto mergulhava perto da Associação Noronhense de Pescadores (Anpesca), em Fernando de Noronha.
Embora o incidente tenha repercutido nas redes, pesquisadores ressaltam que a espécie é considerada pacífica e apresenta histórico mínimo de agressões a humanos.
Comportamento e características da espécie
Segundo Bianca Rangel, coordenadora do Projeto Tubarões e Raias de Noronha e pesquisadora da USP, o tubarão-lixa é sedentário, passa boa parte do tempo repousando no fundo do mar e “caminha” sobre a areia graças às nadadeiras robustas.
Ele não realiza nados longos nem velozes, porém pode reagir se sentir ameaça ou estímulo de alimento. A alimentação intencional de animais marinhos, prática proibida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), altera o comportamento natural e eleva o risco de mordidas.
O que pode ter motivado a mordida
Análise de vídeo feita pela equipe do projeto indica que a visitante mergulhou bem à frente do tubarão, gerando possível confusão ou curiosidade. Barulhos de objetos caindo na água ou restos de comida vindos de embarcações podem ter contribuído para a reação do animal.
A região da Anpesca registra maior concentração de tubarões-lixa justamente pela oferta de alimento ligada ao turismo, condição que não ocorre em outras partes do arquipélago.
Dicas de prevenção aos banhistas
Especialistas recomendam manter distância mínima de dois metros dos animais, evitar movimentos bruscos, não utilizar objetos brilhantes e jamais oferecer comida.

Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit/SDS-PE) apontam 65 ocorrências envolvendo tubarões no litoral pernambucano desde 1992, com 26 mortes — estatística pequena diante dos milhões de banhistas anuais, mas que reforça a importância da prudência.
O Projeto Tubarões e Raias de Noronha monitora a população local desde 2020 e envia relatórios periódicos ao ICMBio, que abriu investigação para apurar possíveis infrações ligadas ao caso.
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Crédito da imagem: Divulgação / Projeto Tubarões e Raias de Noronha