Protestos contra ICE ganham força após tiros nos EUA
Protestos contra ICE ganham força após tiros nos EUA – Nos dias 8 e 9 de janeiro, centenas de pessoas voltaram às ruas de Minneapolis e Portland para exigir a suspensão das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) depois de dois episódios de disparos envolvendo agentes federais.
Em Minneapolis, a morte de Renee Good, 37 anos, atingida por um agente na quarta-feira (7), inflamou atos que avançaram sob chuva congelante. Já em Portland, um casal foi baleado dentro de um carro na frente de um hospital, ampliando a pressão popular.
Como ocorreram os tiroteios
Testemunhas filmaram o momento em que um agente se aproximou do SUV de Renee, exigiu a abertura da porta e atirou quando o veículo se moveu. O Departamento de Segurança Interna alega que ela tentou usar o carro como arma. Vídeos, porém, levantam dúvidas sobre a versão oficial.
No Oregon, o FBI investiga o disparo que feriu um homem e uma mulher em plena luz do dia. Autoridades locais pediram que o ICE interrompa suas ações até a conclusão das apurações, numa tentativa de evitar novos confrontos.
Pressão política e questionamentos à investigação
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou a tese de legítima defesa como “absurda”, enquanto o governador Tim Walz solicitou participação direta do estado no inquérito. Já a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, mantém a linha de que os agentes agiram corretamente.
Especialistas lembram que intervenções federais costumam aumentar o risco de letalidade. Segundo o Atlas da Violência, operações policiais com menor transparência elevam a desconfiança pública e potencializam protestos, cenário semelhante ao observado nos EUA desde 2020.
Efeito cascata: escolas fechadas e trânsito bloqueado
Em Minneapolis, o distrito escolar suspendeu as aulas como medida de precaução. Equipes municipais removeram cerca de 15 toneladas de entulho usadas em barricadas improvisadas, mas mantiveram o memorial erguido em homenagem à vítima.

Em Portland, parte das vias próximas ao prédio do ICE ficou bloqueada por horas. A polícia local fez prisões após ordenar que manifestantes recuassem para as calçadas a fim de liberar o tráfego.
As duas ocorrências já somam cinco mortes ligadas a ações de imigração desde o início das operações do atual governo, que mobilizou mais de 2.000 agentes em todo o território norte-americano.
Nos bastidores, cresce a disputa sobre quem terá autoridade para conduzir as investigações. O Departamento de Justiça dos EUA sinalizou que não dividirá provas com a agência estadual de Minnesota, movimento criticado por organizações civis que pedem transparência total.
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Crédito da imagem: Divulgação / Associated Press