Petróleo na Venezuela: da fundadora da OPEP ao colapso
Petróleo na Venezuela: da fundadora da OPEP ao colapso – Fundadora da OPEP em 1960, a Venezuela chegou a produzir 3,7 milhões de barris por dia na década de 1970, mas encerrou 2025 com apenas 685 mil b/d, segundo boletim da própria organização.
A derrocada da maior riqueza do país explica a crise fiscal que atinge a população, hoje com salário mínimo equivalente a cerca de R$ 2,34 mensais.
Queda livre na produção e sucateamento da PDVSA
A estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) perdeu capacidade de investimento após anos de uso político, subsídios excessivos e denúncias de corrupção.
Relatório da OPEP mostra que o volume extraído recuou 63 % entre 2017 e 2025. A ausência de equipamentos de alta profundidade e a fuga de engenheiros agravaram o quadro.
Efeito das sanções econômicas
Embargos dos Estados Unidos, que respondia por parte expressiva das compras, fecharam o mercado para o petróleo venezuelano. Das majors norte-americanas, restou apenas a Chevron com licença especial.
Os contratos de venda firmados com China e Rússia garantem divisas, mas não cobrem o rombo orçamentário nem trazem transferência tecnológica.
Brasil assume a liderança na América Latina
No mesmo período, a Petrobras multiplicou investimentos no pré-sal e fechou 2024 com 3,55 milhões de barris diários, cinco vezes mais que o vizinho andino.
A plataforma P-78, em operação no campo de Búzios, sozinha pode produzir 180 mil b/d, evidenciando o contraste técnico entre os dois países. Dados detalhados estão disponíveis no portal da ANP.

Dependência externa de alimentos e hiperinflação
Com mais de 95 % das exportações atreladas ao petróleo, o colapso produtivo empurrou 20 milhões de venezuelanos para a pobreza multidimensional, de acordo com a Human Rights Watch.
Sem política agrícola consistente, o país importa grande parte da proteína consumida, sobretudo do Brasil, enquanto a moeda local foi desvalorizada por 14 cortes de zeros em treze anos.
Especialistas avaliam que a recuperação exige reestruturação da PDVSA, novos parceiros de tecnologia e diversificação econômica, mas o cenário permanece indefinido enquanto persistirem sanções e instabilidade política.
No radar de quem acompanha a geopolítica da energia, a situação venezuelana serve de alerta sobre como a má gestão de recursos naturais pode comprometer décadas de desenvolvimento. Para mais análises sobre o cenário internacional, acompanhe nossa editoria Mundo.
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