Condenação de Bolsonaro ecoa na imprensa mundial
Condenação de Bolsonaro ecoa na imprensa mundial – A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em setembro de 2025, impôs 27 anos de prisão a Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito dominou manchetes ao redor do planeta.
Dois anos antes, o então ex-presidente já era alvo de protestos antidemocráticos que culminaram na invasão dos prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, episódio que reforçou a atenção internacional sobre a política brasileira.
Principais manchetes nos Estados Unidos e Europa
Nos Estados Unidos, o The New York Times estampou em sua página inicial que a “Corte Suprema do Brasil condena ex-presidente por tentar se manter no poder após a derrota eleitoral, incluindo plano de assassinato de adversário”.
O The Washington Post seguiu a mesma linha, destacando que Bolsonaro tentou reverter a derrota de 2022 “com um plano que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
No Reino Unido, o The Guardian descreveu o ex-presidente como “de extrema-direita” e enfatizou a pena de mais de 27 anos de prisão por tentar “aniquilar” a democracia brasileira.
Na França, o Le Monde classificou Bolsonaro como líder de uma “organização criminosa” que conspirou para manter um “governo autoritário”. Já o espanhol El País avaliou o veredito como “passo transcendental contra a impunidade”.
Repercussão na América Latina e Oriente Médio
Na Argentina, o Clarín noticiou a “condenação histórica” do ex-presidente, sublinhando a pena de 27 anos e três meses de prisão. A rede catariana Al-Jazeera destacou o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia e afirmou que havia “ampla evidência” de tentativa de corrosão da democracia.
Especialistas apontam que a intensidade da cobertura reflete a preocupação global com a estabilidade institucional brasileira. Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou crescimento de 23% nos episódios de violência política entre 2019 e 2022, contexto que ajuda a explicar o interesse internacional pelo caso.

Contexto jurídico e próximos passos
Bolsonaro e aliados ainda podem recorrer dentro do próprio STF e em tribunais internacionais, mas juristas avaliam que a robustez das provas – como trocas de mensagens e depoimentos – torna improvável uma reversão total da pena.
Mesmo com recursos pendentes, a decisão já cria precedente inédito no país, ao responsabilizar um ex-chefe de Estado por trama golpista, e pode influenciar futuros processos ligados a ataques à democracia.
O julgamento também reforçou o papel do Supremo como guardião da Constituição, segundo analistas, e deve impactar a agenda legislativa sobre crimes contra o Estado Democrático de Direito.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil