Transição energética enfrenta impasses políticos e econômicos
Transição energética enfrenta impasses políticos e econômicos – Uma operação militar norte-americana que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, criticada oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), expôs como o petróleo ainda define disputas de poder no século 21.
Enquanto Washington calcula novos acordos para garantir fornecimento de óleo venezuelano, milhões de venezuelanos seguem refugiados e a prometida transição democrática no país permanece incerta.
Geopolítica do petróleo volta ao centro do tabuleiro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que a oposição venezuelana não estaria pronta para assumir o governo, sinalizando preferência por um “chavismo pró-EUA” que não atrapalhe negócios energéticos.
No Brasil, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de autorizar estudos na Margem Equatorial reforçou a lógica de curto prazo: explorar reservas fósseis para, em tese, financiar energia limpa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de óleo e gás respondeu por 13 % do Produto Interno Bruto industrial em 2022, indicando o desafio de cortar essa fonte de receita.
Urgência climática contrasta com lentidão das ações
Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram que as emissões precisam cair 43 % até 2030 para limitar o aquecimento a 1,5 °C. No entanto, a Agência Internacional de Energia calcula que a demanda global por petróleo só começará a recuar de forma consistente após 2027.
Especialistas apontam que a substituição de combustíveis fósseis requer redirecionar subsídios: em 2023, governos destinaram mais de US$ 1 trilhão para petróleo e gás, valor suficiente para triplicar investimentos em energia solar e eólica.
Sem medidas estruturais, a chamada “droga da civilização” continuará alimentando conflitos e adiando alternativas menos poluentes, alertam analistas.
No cenário atual, transições política e energética caminham a passos lentos: a democracia na Venezuela depende de rearranjos regionais, e a economia global ainda gira em torno do “ouro negro”, mesmo sob risco de colapso climático.

A expectativa de especialistas é que pressões de mercado — como taxação de carbono e avanços tecnológicos em armazenamento — ganhem força na próxima década, encurtando a distância entre metas climáticas e realidade energética.
No entanto, enquanto países produtores seguirem dependentes da renda do petróleo, ações unilaterais como a intervenção norte-americana tendem a se repetir, prolongando instabilidade política e ambiental.
No Brasil, debates sobre royalties e investimentos em hidrogênio verde voltam a ganhar destaque no Congresso, mas sem consenso sobre prazos para a eliminação completa de combustíveis fósseis.
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