Inquérito de corrupção na Prefeitura do Recife segue parado
Inquérito de corrupção na Prefeitura do Recife segue parado – A investigação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre supostos desvios em contratos que somam mais de R$ 200 milhões foi congelada após decisão individual de um desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Batizada de Operação Barriga de Aluguel, a apuração mira licitações firmadas pela gestão municipal desde 2021 e está sem avançar há vários meses, apesar de frentes paralelas conduzidas pela Polícia Federal, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por outros órgãos de controle.
Como o processo foi suspenso
O desembargador aceitou pedido de habeas corpus apresentado por empresas investigadas, alegando supostas falhas processuais. Com isso, diligências, quebras de sigilo e oitivas solicitadas pelo MPPE ficaram temporariamente vedadas. Segundo o próprio tribunal, não há previsão para que o mérito do recurso seja apreciado pelo colegiado.
O trancamento dificulta a coleta de novas provas e impede o compartilhamento de informações com a Polícia Civil de Pernambuco, que abriu procedimento administrativo para avaliar possíveis crimes de fraude em licitação e lavagem de dinheiro.
Impacto e contexto financeiro
Os contratos investigados envolvem serviços de engenharia e manutenção urbana. No total, R$ 200 milhões equivalem a quase 8% do orçamento anual do Recife para obras e infraestrutura, segundo dados do portal da transparência municipal.
Relatório recente do TCU estimou que fraudes em licitações Brasil afora provocam perdas de até R$ 10 bilhões por ano, valor que poderia financiar a construção de 100 mil moradias populares. Especialistas reforçam que a demora no andamento processual aumenta o risco de prescrição e dificulta a recuperação de recursos aos cofres públicos.

O MPPE informou que já apresentou recurso contra a decisão monocrática e aguarda que o caso seja redistribuído para julgamento em Câmara Criminal. Enquanto isso, a Procuradoria‐Geral do Município declarou, por nota, que “colabora com todas as investigações e confia no esclarecimento dos fatos”.
Embora a investigação principal esteja parada, a Polícia Federal segue analisando movimentações financeiras das construtoras envolvidas e pode apresentar relatório preliminar ainda neste semestre.
Acompanhe os próximos desdobramentos e outras reportagens sobre a gestão pública: acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação