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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Preço do gás natural no Brasil segue entre os mais altos

Preço do gás natural no Brasil segue entre os mais altos

Preço do gás natural no Brasil segue entre os mais altos – Mesmo após a sanção do Programa Gás para Empregar, o valor do gás natural vendido às famílias e empresas brasileiras continua entre os maiores do planeta, com novas altas impulsionadas por tributos estaduais.

Um levantamento da plataforma GlobalPetrolPrices.com mostra que o Brasil só perde para a Suécia no ranking de tarifas domésticas e lidera o custo para o setor produtivo, superando Estados Unidos, China e Índia.

Tributação estadual pressiona o bolso do consumidor

Desde 2025, sete estados, entre eles Pernambuco, aprovaram reajustes de ICMS e de margens de distribuição a toque de caixa, gerando impacto extra estimado em R$ 600 milhões por ano, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

No caso pernambucano, a Copergás aplica alíquotas de 20,5% de ICMS e 9,25% de PIS/Cofins. Na prática, quem consome até 1 000 m³ paga R$ 3,6183 por metro cúbico; acima de 225 000 m³, a tarifa cai ligeiramente para R$ 3,3867.

A diferença concentra-se no chamado “último quilômetro” – o trecho operado pelas distribuidoras estaduais, fora da regulação da Agência Nacional do Petróleo (ANP). É nesse ponto que aumentos aprovados em prazos inferiores a 15 dias neutralizam a queda de custo obtida na origem.

Indústria reclama e governo cobra coerência regulatória

A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) classifica o reajuste médio de 1,84% autorizado pela Agência Reguladora de Pernambuco (ARPE) como um golpe na competitividade local. A entidade argumenta que o gás natural responde por mais da metade dos custos energéticos de vários segmentos.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirma que a abertura do mercado “exige coerência regulatória” e que ganhos de eficiência não podem ser “apropriados por margens excessivas”. O governo estuda, junto à ANP e à Empresa de Pesquisa Energética, metodologias para padronizar tarifas e garantir previsibilidade.

Segundo dados do IBGE, a parcela de energia domiciliar medida pelo IPCA ficou 12,5% mais cara nos últimos 12 meses, puxada principalmente por gás de botijão e gás encanado, corroborando a preocupação de consumidores e especialistas.

Para o IBP, a solução passa por processos transparentes nas revisões tarifárias, com audiências públicas amplas e respeito ao princípio da modicidade. “Sem essas condições, a molécula mais barata não chegará ao usuário final”, alerta a entidade.

No cenário internacional, estudo da Fundação Getulio Vargas demonstra que a própria produção da “molécula” ainda pesa: 53% do preço final cobrado da indústria brasileira corresponde ao custo do insumo, patamar superior ao observado em países concorrentes. O desafio, portanto, combina redução tributária, expansão de infraestrutura e barateamento da produção no pré-sal.

Enquanto governo federal, ANP, distribuidoras e estados negociam saídas, o consumidor segue pagando caro pelo gás que deveria impulsionar neoindustrialização e atrair investimentos.

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Crédito da imagem: Divulgação / MME

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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