Petroleiros rompem bloqueio dos EUA e deixam a Venezuela
Petroleiros rompem bloqueio dos EUA e deixam a Venezuela – Pelo menos 16 navios-tanque conseguiram deixar as águas venezuelanas depois que Nicolás Maduro foi capturado, informou o jornal The New York Times na última segunda-feira (5).
Imagens de satélite mostravam as embarcações atracadas por semanas. No sábado (3), entretanto, todas desapareceram dos portos do país, sinalizando o início de uma operação coordenada de evasão.
Como os navios escaparam
Quatro petroleiros foram rastreados a 48 km da costa, rumo ao leste, navegando com nomes adulterados e falsificando suas coordenadas – tática conhecida como spoofing. Outros 12 navios deixaram de transmitir sinal, prática comum da chamada “frota fantasma”.
A maioria das embarcações já estava sob sanções dos Estados Unidos por transportar petróleo iraniano ou russo. Segundo especialistas, a estratégia de sobrecarregar o bloqueio com várias saídas simultâneas reduz as chances de intercepção, conforme explicado em relatórios da OFAC, órgão do Tesouro norte-americano.
Impacto das sanções na economia venezuelana
O bloqueio naval foi decretado em 16 de dezembro pelo então presidente Donald Trump, restringindo a capacidade da estatal PDVSA de gerar receita. Dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) indicam que a produção venezuelana caiu de 2,3 milhões de barris/dia em 2015 para cerca de 700 mil em 2025, aprofundando a crise econômica doméstica.
Apesar das restrições, empresas ocidentais com licenças especiais, como a norte-americana Crevron, continuam atuando no país. Analistas avaliam que a fuga dos petroleiros pode abrir brechas para redes de comércio paralelo, elevando o custo do monitoramento marítimo e pressionando ainda mais o mercado global de fretes.
Fontes do setor petrolífero ouvidas pelo NYT atribuíram a operação de evasão a Alex Saab e Ramón Carretero, empresários próximos ao governo chavista e já sancionados por Washington. Parte dos navios teria pintado novos nomes no casco e copiado códigos de embarcações desativadas para despistar satélites.

Enquanto isso, a Guarda Costeira dos EUA confirma ter abordado três navios desde dezembro: Skipper, Centuries e Marinera, este último ainda sob perseguição no Atlântico.
No momento, não há informações oficiais sobre o destino final dos 12 petroleiros que desligaram seus transponders, mas analistas apontam rotas prováveis para o Mediterrâneo e o sudeste asiático.
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