Relatório de ONG detalha mortos por Maduro na Venezuela
Caracas — Um relatório divulgado recentemente pela ONG Observatório Venezuelano de Violência (OVV) aponta que, entre 2016 e 2022, mais de 25 mil venezuelanos morreram em ações atribuídas a forças de segurança ligadas ao governo de Nicolás Maduro, número que reforça as denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos no país.
O documento foi compilado a partir de dados oficiais do Ministério Público venezuelano e de investigações independentes conduzidas por entidades civis, destacando um padrão de execuções extrajudiciais em bairros periféricos de grandes cidades como Caracas, Maracaibo e Valencia.
Mortes concentradas em operações especiais
A maior parte dos óbitos ocorreu durante operações da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) e de seu grupo de elite, as Forças de Ação Especial (FAES), criadas em 2017 para o combate ao crime organizado. Segundo a ONG, a letalidade policial subiu 38 % em 2020, ano em que a pandemia dificultou o monitoramento externo.
O padrão verificado inclui invasões a residências sem mandado judicial, detenções arbitrárias e posterior registro das mortes como “confronto armado”. Esse modus operandi foi apontado também pelo relatório do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, que classificou os episódios como possíveis crimes contra a humanidade.
Contexto econômico e pressão migratória
Especialistas vinculam o aumento da violência estatal à crise econômica que reduziu o PIB venezuelano em cerca de 80 % desde 2013, segundo estimativas do Banco Mundial. A desvalorização do bolívar e a escassez de bens básicos alimentaram protestos, reprimidos com força desproporcional.
O fluxo migratório também disparou: dados da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) indicam que mais de 7,3 milhões de venezuelanos deixaram o país na última década, muitos alegando perseguição política e falta de segurança.
Pressão internacional e desafios internos
Apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, o governo Maduro mantém respaldo das Forças Armadas e de aliados regionais, o que dificulta mudanças estruturais. Organizações de direitos humanos pedem acesso irrestrito de observadores independentes e reforço nos programas de proteção a testemunhas.
Nenhuma das investigações sobre as mortes resultou, até o momento, em condenações de alto escalão. Promotores que tentaram avançar em processos foram exonerados ou deixaram o país, segundo o OVV.
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