Trump ameaça Delcy Rodríguez e cita punição maior que Maduro
Trump ameaça Delcy Rodríguez e cita punição maior que Maduro – Em entrevista publicada na revista The Atlantic, no último domingo (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que a chefe de Estado interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, “pagará um preço muito alto” caso não atenda às exigências de Washington.
O republicano comparou o possível destino da líder venezuelana ao de Nicolás Maduro, detido na véspera com a esposa durante ofensiva norte-americana em Caracas.
Pressão diplomática e possível quarentena marítima
Durante coletiva posterior, Trump destacou que Rodríguez “está essencialmente disposta a fazer o que considerarmos necessário”, mas não descartou novas medidas punitivas. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que a Casa Branca avaliará “ações concretas”, como a interrupção do tráfico de drogas e o afastamento de forças iranianas, antes de considerar qualquer alívio.
Se as exigências não forem cumpridas, Rubio mencionou a retomada de sanções financeiras e até uma quarentena naval, mecanismo já empregado historicamente pelos EUA para isolar governos adversários, conforme explicou em detalhes a própria Atlantic Council.
Reação interna das Forças Armadas venezuelanas
Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, repudiou publicamente a ação norte-americana. Ao lado de oficiais fardados, classificou a operação como “ato de profunda malícia” e exigiu a libertação imediata de Maduro, enfatizando que “a soberania foi violada”.
Fontes do governo de Caracas informaram que o número de mortos na operação chegou a 80 — entre eles civis e militares — enquanto autoridades dos EUA afirmam que não houve baixas americanas.
Contexto e possíveis impactos
Especialistas em direito internacional lembram que bloqueios marítimos podem enquadrar-se como atos de guerra segundo a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar. Além disso, a Organização dos Estados Americanos (OEA) registra que embargos prolongados costumam agravar crises humanitárias, como ocorreu em Cuba na década de 1990.

Na economia, a Venezuela já acumula queda de 75% do PIB desde 2014, conforme dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nova rodada de sanções pode pressionar ainda mais o abastecimento de combustível e de alimentos, cenário que leva analistas a preverem inflação superior a 400% em 2026.
Em meio à escalada retórica, Delcy Rodríguez mantém a exigência de libertação de Maduro e sustenta que qualquer diálogo deve ocorrer “sem ameaças”. O governo norte-americano, porém, sinaliza que só recuará diante de “mudanças sistêmicas” no país vizinho.
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