Mercado de SUVs no Brasil ignora público entusiasta, diz colunista
O jornalista automotivo Eduardo Pincigher afirmou, em coluna publicada em 10 de maio no portal Guru dos Carros, que as montadoras instaladas no Brasil concentram seus lançamentos em utilitários esportivos e deixam de atender motoristas que buscam carros voltados ao prazer de dirigir — crítica que reacende o debate sobre o domínio do mercado de SUVs no Brasil.
Domínio dos SUVs e custo de produção
Pincigher observa que, na faixa de R$ 200 mil, o consumidor encontra “trinta ou quarenta” modelos de SUV contra pouquíssimos sedãs, citando o Toyota Corolla como exceção. O colunista atribui a escolha das montadoras ao alto custo de desenvolver projetos inéditos e à necessidade de amortizar investimentos com grandes volumes de venda.
Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que SUVs representaram 45,9% dos emplacamentos de automóveis leves em 2023, reforçando a percepção de que o segmento se tornou prioridade na estratégia de produto das fabricantes.
Conectividade x experiência ao volante
Para o jornalista, equipamentos como central multimídia, assistentes semiautônomos e porta-malas com sensor elevam custos, mas não agregam valor para o público que prioriza motor, câmbio, suspensão e freios. Ele sugere que as marcas adotem a lógica da “programação barata” na televisão — citando SBT e Globo como exemplos de transmissões concorrentes — e lancem versões simplificadas, focadas em dirigibilidade, a preços mais baixos.
No setor de motocicletas, Pincigher elogia a presença de opções “analógicas”, como os modelos Royal Enfield, que preservam motores de baixa eletrônica para atender nichos específicos. Na indústria de automóveis, ele aponta apenas a Porsche como referência, mas fora do alcance da maioria dos consumidores.
Espaço para nichos ainda existe?
Especialistas concordam que há brechas para veículos de nicho, mas lembram que a oferta limitada se deve também a regulamentações de segurança e emissões cada vez mais rígidas, que exigem eletrônica embarcada. Mesmo assim, marcas chinesas que produzem em larga escala já estudam variações mecânicas simplificadas para mercados emergentes, sinalizando uma possível mudança de rota.
Enquanto isso, entusiastas tendem a recorrer a modelos seminovos. Pincigher, por exemplo, diz manter um sedã BMW F30 de dez anos e mira uma Série 3 G20 com “baixa quilometragem” por não encontrar alternativa zero-quilômetro com características semelhantes.
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