Brasil e aliados repudiam ataque dos EUA à Venezuela
Brasil e aliados repudiam ataque dos EUA à Venezuela – Em comunicado conjunto divulgado no último domingo (4 de janeiro), Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai classificaram como “extremamente perigosa” a operação militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, em Caracas.
Os governos afirmaram que a ofensiva viola princípios da Carta das Nações Unidas e cria precedente que ameaça a paz regional.
O que diz a nota conjunta
No documento, os seis países reiteram “profunda preocupação e repúdio” ao uso unilateral da força. Para eles, a crise deve ser solucionada por meio de diálogo interno, sem qualquer interferência externa, em consonância com o tratado fundacional da ONU.
O texto ainda reforça que a América Latina e o Caribe permanecem reconhecidas como “zona de paz”, conquistada pela solução pacífica de controvérsias e pelo respeito à soberania dos Estados.
Risco à população civil e apelo ao secretário-geral
Os signatários alertam para o impacto da operação sobre civis venezuelanos e pedem que o secretário-geral António Guterres atue para reduzir as tensões. A preocupação também se estende a possíveis tentativas de apropriação de recursos naturais estratégicos da Venezuela.
Segundo o artigo 2(4) da Carta da ONU, citado no comunicado, “todos os membros se abstêm de empregar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, princípio reconhecido como pilar do direito internacional desde 1945.
Contexto histórico e geopolítico
A última intervenção militar direta dos Estados Unidos na América Latina havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado. Ao repetir a estratégia contra Maduro, Washington afirma combater o narcotráfico, enquanto críticos veem interesse em neutralizar a influência de China e Rússia e garantir acesso às maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

De acordo com o Instituto de Estudos Energéticos de Oxford, a Venezuela possui cerca de 17% das reservas globais de óleo, fator que mantém o país no centro de disputas estratégicas no continente.
Os governos latino-americanos que assinam a nota defendem “unidade regional além das diferenças políticas” para preservar estabilidade, desenvolvimento e direitos humanos.
No comunicado, também fazem um apelo para que demais membros da comunidade internacional se pronunciem contra qualquer escalada militar na região.
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Crédito da imagem: Divulgação