Conformismo no Brasil impede avanço social, diz economista
Conformismo no Brasil impede avanço social — Na avaliação do economista pernambucano Joel de Hollanda, ex-secretário de Educação do Estado e ex-senador, a acomodação coletiva tem custado caro ao desenvolvimento nacional.
Em artigo recente, o especialista afirma que a sensação de que “sempre foi assim” converte indignação em resignação, alimentando um ciclo de inércia cívica que atravessa gerações.
Do desabafo à inércia: por que a apatia se instala
Hollanda observa que o conformismo brasileiro nasce quando o cidadão acredita que nada depende dele e passa a atribuir todos os males a fatores externos, como corrupção, herança colonial ou crise econômica.
Esse comportamento encontra reflexo em estatísticas: segundo o Atlas da Violência 2023, unidades da Federação com menor engajamento social registram índices mais altos de homicídios, sugerindo que a ausência de cobrança pública também afeta a segurança.
Para o economista, programas assistenciais desacompanhados de educação e qualificação reforçam a dependência. Benefícios que deveriam ser pontes para autonomia acabam se tornando muletas permanentes, cristalizando a estagnação.
Incoerências que travam o progresso
A tolerância a pequenas infrações — o chamado “jeitinho” — corrói qualquer projeto coletivo. Pesquisas do Datafolha indicam que 64% dos brasileiros dizem repudiar a corrupção, mas apenas 28% acompanham de perto a atuação de seus parlamentares.

A discrepância também aparece na carga tributária: o Brasil está entre os 30 países que mais arrecadam impostos, segundo a OCDE, mas ocupa a 80ª posição em qualidade de infraestrutura, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.
Hollanda conclui que desenvolvimento requer maturidade cívica: fiscalização diária do poder público, voto criterioso e participação ativa em conselhos e audiências. Sem essa pressão constante, o Estado tende à ineficiência e ao abuso.
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