Aplicativo para hanseníase agiliza exames em Pernambuco
Aplicativo para hanseníase agiliza exames em Pernambuco – Pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE) desenvolveram o aplicativo ANSd para digitalizar e acelerar a avaliação neurológica de pacientes com hanseníase.
O teste de usabilidade da ferramenta será realizado em abril no Hospital Otávio de Freitas, em Tejipió, Zona Oeste do Recife, referência estadual no tratamento da doença.
Como funciona o aplicativo
A ANSd (Avaliação Neurológica Simplificada Digital) reproduz a ficha de avaliação regulamentada pelo Ministério da Saúde, o que facilita a transição do formato papel para o digital pelos profissionais já acostumados ao modelo.
Segundo a coordenadora do projeto, a digitalização reduz erros de registro — como tinta desbotada e anotações incompletas — e melhora a qualidade dos dados coletados para acompanhamento clínico.
O projeto hansen.ai, que originou o app e é financiado pelo CNPq e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, envolve UPE, IFPE e UFPB, com 23 pesquisadores e previsão de conclusão para o final de 2026. Veja dados oficiais no Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.
Impacto esperado e próximos passos
Além de reduzir a perda de informações, a ferramenta permitirá preenchimento obrigatório de campos e facilitará análises em nível populacional.
Pesquisadores do IFPE desenvolvem um modelo de previsão com inteligência artificial que usará os dados coletados para identificar pacientes com maior risco de piora, possibilitando intervenções mais rápidas pelo SUS.
Também está em desenvolvimento um dispositivo para avaliação sensitiva e uma plataforma para que pacientes acompanhem seu estado e recebam orientações de autocuidado.
Os pesquisadores destacam desafios logísticos, como a necessidade de tablets e impressoras na unidade-piloto e questões de escalabilidade para adoção nacional.
Dados do Ministério da Saúde mostram 22.129 casos novos de hanseníase no Brasil em 2024, com 36,5% dos pacientes apresentando grau 1 de incapacidade. Em Pernambuco foram notificados 19.831 casos nos últimos 10 anos e 1.699 casos em 2024; entre 1.420 avaliados naquele ano, 12,5% apresentavam grau 2 de incapacidade.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1