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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Lei Rouanet: desafios e soluções para captar recursos culturais

Lei Rouanet: desafios e soluções para captar recursos culturais

Lei Rouanet: desafios e soluções para captar recursos culturais – Criada em 1991, a principal política de incentivo fiscal à cultura no Brasil segue sendo o caminho mais usado por produtores, mas também o mais tortuoso.

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é um exemplo emblemático: mesmo com quase duas décadas de sucesso, o evento ainda precisa escalar duas “montanhas” todo ano – a aprovação do projeto e a conquista de patrocinadores dispostos a destinar até 4% do Imposto de Renda.

Por que a captação é tão difícil?

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Cultura, mais de R$ 4,3 bilhões em projetos foram autorizados em 2025, mas apenas cerca de 30% desse valor foi, de fato, captado.

O déficit se explica por três fatores principais: baixa cultura de mecenato nas empresas, excesso de demanda nacional e burocracias que ainda afastam investidores, mesmo após a modernização do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).

Estratégias que funcionam

Profissionais do setor recomendam três frentes de atuação para aumentar as chances de sucesso:

1) Planejamento antecipado: submeter o projeto com pelo menos seis meses de antecedência da execução evita atrasos e amplia a janela de prospecção.

2) Retorno comprovado: apresentar indicadores de impacto local — geração de empregos temporários, aumento de fluxo turístico e dados de arrecadação — foi decisivo para a Flip demonstrar seu valor à Paraty.

3) Diversificação de fontes: além da Lei Rouanet, combinar editais estaduais, crowdfundings e parcerias com pequenas empresas reduz a dependência de poucos patrocinadores.

Efeito cascata nos festivais menores

Coordenadores de eventos como o Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços) relatam que, se até a Flip sofre para captar, a realidade de festivais regionais é ainda mais desafiadora.

Para driblar a concorrência com shows e produções audiovisuais, curadores têm apostado em atividades educativas, oficinas online e programação híbrida, multiplicando momentos de visibilidade para marcas apoiadoras.

Na avaliação de especialistas, enquanto o Brasil não consolidar políticas complementares de fomento direto — como fundos perenes e editais simplificados —, a Lei Rouanet seguirá funcionando como um funil que aprova muitos projetos, mas financia poucos.

No entanto, com planejamento, métricas de impacto e criatividade, organizadores podem transformar as pedras do caminho em degraus para novos públicos e patrocínios.

Para conferir outras iniciativas culturais que buscam financiamento no Estado, navegue pela editoria Pop do Pernambuco Conectado.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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