Captura de Nicolás Maduro divide políticos brasileiros
Captura de Nicolás Maduro divide políticos brasileiros – A prisão do presidente da Venezuela e de sua esposa, durante ação militar dos Estados Unidos na madrugada de sábado (3), desencadeou reações opostas entre deputados e vereadores pernambucanos.
Lideranças ligadas à direita comemoraram o episódio como início de uma “nova era” no país vizinho, enquanto parlamentares da esquerda classificaram a intervenção como agressão imperialista e ameaça à soberania latino-americana.
Direita celebra “libertação” e fim da ditadura
O ex-ministro e deputado federal Mendonça Filho afirmou que a queda do que chamou de “ditadura sanguinária” devolve esperança ao povo venezuelano.
No Recife, o vereador Eduardo Moura (Novo) descreveu a operação como “bombardeio cirúrgico” para retirar um “ditador que fraudou eleições”. Ele negou que se tratasse de invasão, comparando o governo chavista a um narco-estado.
O líder do PL na Câmara Municipal, Thiago Medina, ecoou o discurso. Segundo ele, 2026 já tem “a grande notícia do ano”, atribuindo laços do regime a grupos terroristas.
Também nas redes, Gilson Machado Filho (PL) defendeu que a captura representa justiça para “milhões de venezuelanos que fugiram da fome, da violência e da repressão”. Ele criticou vozes que, “sempre que a bandeira é vermelha, relativizam tiranos”.
A deputada Clarissa Tércio, por sua vez, condenou a nota oficial do presidente Lula em defesa de Maduro. Para a parlamentar, o Planalto ignora perseguições e a crise humanitária ao “fechar os olhos para a falta de liberdade” no país vizinho.
Esquerda denuncia imperialismo e disputa por petróleo
Pelo outro lado, o deputado estadual João Paulo (PT) avaliou que a motivação da operação foi econômica. “Não é por democracia, é por petróleo”, declarou, chamando o episódio de ameaça à paz mundial.
A ministra Luciana Santos (PCdoB) publicou nota em que rotulou a ação como “ataque criminoso” e “sequestro” do chefe de Estado. Ela conclamou governos e movimentos sociais a reagirem contra o “terrorismo internacional”.

A ex-deputada federal Marília Arraes adotou posição intermediária: criticou Maduro, mas repudiou a interferência externa, classificando-a como novo capítulo do imperialismo. Já Tábata Amaral reconheceu violações de direitos humanos na Venezuela, porém afirmou que isso não legitima uma invasão.
Crise migratória amplia repercussão
Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2014, pressão humanitária que serve de argumento para ambos os lados: enquanto a direita diz que o êxodo comprova a “ditadura”, a esquerda alega que sanções externas agravaram a crise.
Ainda não há informações oficiais sobre o destino jurídico de Maduro, mas analistas internacionais projetam que Washington encaminhará acusações por narcotráfico e violações de direitos humanos, o que pode influenciar a geopolítica regional nos próximos meses.
O Itamaraty informou que acompanha a situação, mas não divulgou se adotará medidas diplomáticas adicionais.
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Crédito da imagem: Divulgação