Conflito na Venezuela pode agitar mercado financeiro do Brasil
Conflito na Venezuela pode agitar mercado financeiro do Brasil – Na primeira semana de janeiro, analistas veem pelo menos três frentes de pressão sobre a economia brasileira após o bombardeio dos Estados Unidos ao território venezuelano e a captura de Nicolás Maduro.
O estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, destaca que a principal variável é o petróleo: um choque imediato na oferta encarece o barril e eleva a inflação mundial, com reflexo direto nos combustíveis vendidos no Brasil.
Cenário do petróleo e impactos imediatos
Mesmo sob sanções, parte do petróleo venezuelano seguia para o exterior. A interrupção dessa circulação, combinada à incerteza sobre represálias militares, provoca alta repentina nos contratos futuros.
O movimento tende a ser passageiro se Washington flexibilizar o bloqueio econômico. Nesse caso, companhias norte-americanas voltariam a atuar nos campos venezuelanos, ampliando a oferta global. A Venezuela reúne as maiores reservas do planeta, segundo dados do IBGE, e a entrada maciça dessa produção poderia derrubar as cotações já no médio prazo.
Risco-país e dilema diplomático
Com a escalada bélica, gestores estrangeiros podem enxergar a América do Sul como um bloco único, elevando simultaneamente o Credit Default Swap (CDS) de países da região. Para o investidor que mira diversificação, Brasil e Venezuela viram parte do mesmo mapa de risco.
Além disso, a resposta do governo Lula ao ataque pesa nas relações comerciais com os EUA. Caso Brasília critique abertamente a operação, o Planalto arrisca retrocessos em acordos tarifários recém-conquistados, alerta Cruz.
A crise humanitária também retorna ao radar: entre 2015 e 2023, o Brasil recebeu mais de 450 mil venezuelanos, segundo o Ministério da Justiça. Um novo fluxo migratório pressionaria serviços públicos em Roraima e Amazonas, com impactos fiscais indiretos.

No balanço dos especialistas, o mercado deve monitorar três indicadores nas próximas semanas: preço internacional do Brent, variação do CDS brasileiro e posicionamento diplomático em Brasília e Washington.
No longo prazo, a combinação de maior oferta de petróleo e risco político elevado deixa a trajetória dos ativos brasileiros imprevisível, reforçando a importância da diversificação de carteiras.
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