Maduro será julgado nos EUA por acusações criminais
Maduro será julgado nos EUA por acusações criminais – No sábado (3), o Departamento de Justiça norte-americano tornou públicas diversas denúncias contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e a ex-primeira-dama Cilia Flores, protocoladas no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.
O casal é acusado de participar de organização criminosa voltada a tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. Caso condenados, podem receber penas que somam várias décadas de prisão.
Detalhes das acusações
Segundo a Procuradoria, Maduro teria utilizado a estrutura estatal venezuelana para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos, além de desviar recursos públicos por meio de contratos superfaturados.
Os promotores afirmam ainda que, entre 1999 e 2020, o esquema teria movimentado bilhões de dólares, sustentando milícias armadas e redes de suborno. Documentos anexados ao processo indicam ligações com o cartel das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), responsável pela logística em rotas caribenhas.
Por envolver delitos financeiros e transnacionais, a investigação contou com colaboração de agências como DEA, FBI e Interpol, além de autoridades brasileiras. Em casos semelhantes de crime organizado, a Polícia Civil de Pernambuco costuma reforçar a cooperação internacional para rastrear patrimônio em diversos países.
Próximos passos judiciais
O tribunal nova-iorquino determinará, nas próximas semanas, se Maduro e Flores serão julgados in absentia ou se caberá pedido formal de extradição. A Constituição venezuelana impede a entrega de nacionais, mas acordos bilaterais permitem a transferência caso haja decisão de Corte Suprema.
Especialistas lembram que, em 2023, 83 % dos pedidos de extradição referentes a crimes de narcotráfico foram aceitos pelos EUA, segundo dados do Departamento de Estado. A audiência preliminar definirá também fiança, eventuais acordos de delação e prazo para a seleção do júri.

Nos Estados Unidos, condenações por conspiração para tráfico podem ultrapassar 30 anos de prisão, além de multas milionárias e confisco de bens. Caso avance, o processo terá sessões transmitidas ao público, seguindo o princípio de transparência adotado pela Justiça federal norte-americana.
O governo venezuelano não reconhece a legitimidade das acusações e já classificou o ato como “interferência estrangeira”. Em nota, prometeu recorrer a organismos multilaterais para contestar o indiciamento.
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